Crazy ride and the Mekong River dolphins

Como o motivo do meu “tour” pelo Sudeste Asiático é dar continuidade a minha pesquisa do mestrado, nada mais justo do que visitar o Rio Mekong (um dos principais rios do SE Asiático, que corta 6 países e que é meu objeto de estudo) e passar por onde o Rio passa no Camboja. Para isso escolhi a região do Nordeste do país onde é possível avistar golfinhos, que vivem apenas nesta região do Rio e estão ameaçados de extinção (só existem cerca de 75 nesta região). Mas para isso tive um dia longo de viagem, se não um dos mais difíceis, uma vez que não há rodovia que liga direto Siem Reap, onde eu estava, à Kratie.

Bom, então as 7 da manhã já estava eu aguardando o ônibus, onde viajei pelas próximas 6-7 horas, sem muito espaço ou conforto. Sabia que eu teria que trocar de ônibus mas não fazia idéia de quando, até que o ajudante do motorista nos mandou descer assim que chegamos em uma cidade – que não faço idéia de qual era – ao menos não tinha só eu, mas também 2 franceses (que estão dando uma volta ao mundo) e que também estavam indo para Kratie. Nisso fomos direcionados a uma minivan, aguardamos uns outros passageiros, todos locais, o motorista tentava falar comigo em khmer e claro que eu não entendia nada. Até que… ainda na cidade, ele nos levou a uma rua, tipo de feira e pediu para descermos. Nisso eles começaram a carregar a van com legumes e verduras. Tipo MUITA COISA! Isso durou mais ou menos uma hora.. pois não era só carregar, ainda pesavam e iam verificando uma lista, para ver se estava tudo certo. Eu já não acreditava mais que seria possível sermos transportados naquela van, pois todos assentos foram ocupados (até o teto) sobrando somente 3, os da primeira fileira, além do lugar do motorista e do passageiro. Fiquei em estado de choque e perguntava para um cambojano que falava um pouco de inglês se de fato iríamos naquela van, e ele confirmou. Detalhe, só tinha eu e mais 8-9 homens, os demais passageiros. Felizmente eu não era a única gringa #obrigadasenhor!

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No meio do “processo”

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Let’s go?

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Detalhe do lado de dentro 😛 Mãe fica tranquila!

Nisso, ao menos fui privilegiada de ir no banco da frente, bem apertado, mas pelo menos não tive que me espremer no assento de trás, com os demais 8. A viagem em si durou umas 2 horas, até sermos descarregados em Kratie. Infelizmente este foi o tipo de situação que eu não tinha o que fazer, pois estava em uma cidade X e já estava quase fim do dia então ter escolhido ficar lá para no dia seguinte pegar um transporte decente para Kratie seria muito mais complicado. O pior de tudo é que paguei para viajar desse jeito (o trecho Siem Reap até Kratie foi $12,00)!

Enfim, olhando pelo lado bom da coisa, tenho mais histórias para contar 😛 . Mas vale dizer que não me senti ameaçada ou com medo, por ser a única mulher, foi mais o fato de ser zero conforto e viajar àla cambojano.

Chegando em Kratie, que é uma cidade bem pequena sem quase nada para ver a não ser os golfinhos e trilhas pela beira do Rio, fui direto para a guesthouse (pousada) que tinha lido no Guia Lonely Planet e consegui um quarto privado por US$5,00. A pousada chama Balcony guesthouse e é simples mas boa, eles tem também um restaurante com comida boa e um ótimo wi-fi, fora que a família que é dono do local são muito amigáveis, honestos e pude conversar um pouco com o dono, sobre seus planos, suas desilusões com a política do seu país, etc. Ele mesmo foi quem organizou no dia seguinte um tuktuk para me levar para ver os golfinhos (o local fica a 15km de Kratie).

Estava muerta de cansaço depois da aventura que foi para chegar a cidade então apaguei, e no dia seguinte fui lá pelas 9 da manhã para ver os golfinhos. Chegando lá tem que pagar US$ 9,00 (para 2 ou mais o preço é de 7) para o barco te levar até o local de observação. Chegando lá só tinha eu e meu barco e estava uma brisa delícia, e vi vários golfinhos! Muito lindos, foi emocionante. Pena que só conseguimos ver estando mais de longe, então foi difícil fazer uma foto boa, estilo National Geographic.

Depois de um tempo, uns 40 min, avisei o piloto (?) que podíamos voltar, porém o motor de uns 50 anos que o barco tinha resolveu não trabalhar e até ele reviver demorou uns 30 min. Pouco antes de irmos chegaram uns 5 barcos com outros turistas, e pude perceber que quase não se via mais golfinhos, então vale a pena ir mais cedo!

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O barco e o Rio Mekong, que é enorme!

Conseguem ver o golfinho?

Conseguem ver o golfinho?

Olha que lindo!

Olha que lindo!

Eu no Rio Mekong

Eu no Rio Mekong

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Instrumento usado na pesca.

Bom, no retorno para Kratie, fui tirando várias fotos, pois o caminho todo é pela zona rural, o que adorei poder observar. Além disso pedi para parar em um templo que é uma das atrações de Kratie (apesar de que ele parece estar abandonado no momento) que é conhecido por ter 100 pilares, como irão ver na foto 🙂

Casa típica. De norte a sul, por onde passei as casas sempre são assim elevadas do chão.

Casa típica. De norte a sul, por onde passei as casas sempre são assim elevadas do chão.

Menina com uniforme escolar

Menina com uniforme escolar

Andando pela zona rural, as crianças sempre dizem "hello" e sorriem :)

Andando pela zona rural, as crianças sempre dizem “hello” e sorriem 🙂

O Rio ao fundo, as casas, e as plantações ao fundo.

O Rio ao fundo, as casas, e as plantações ao fundo.

O templo com 100 pilares

O templo com 100 pilares

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Próximo ao templo tinham várias borboletas! Então, virei fotógrafa :P

Próximo ao templo tinham várias borboletas! Então, virei fotógrafa 😛

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lindo

lindo

Dormi mais esta segunda noite em Kratie, aproveitei antes para andar pela cidade e realmente não tem nada, e no dia seguinte já peguei uma Van – desta vez só com pessoas e não legumes 😀 – em direção a Phnom Penh (de volta a capital) pois apesar de não saber ao certo para onde eu iria (estava na duvida), qualquer caminho me levaria até lá, pois é de onde todos outros ônibus saem. Acabei decidindo ir para Kampot, sul do país e de onde vos escrevo (já é meu último dia no país) e após 4 horas na minivan vindo de Kratie, cheguei em PP e já fui direto ver se tinha um ônibus para Kratie (6 horas de viagem – US$ 7,00) e sim tinha, para daqui 2:30, tempo ideal para eu dar uma volta e almoçar tranquilamente. A viagem até Kampot foi tranquila, porém foi mais um dia inteiro que passei viajando, detalhe isso tudo foi cerca de 500km e demorei 10 horas! Viajar pelo Camboja não é nada fácil, mas mesmo assim tem valido a pena.

Outro templo, este já no centro de Kratie.

Outro templo, este já no centro de Kratie.

Templo principal de Kratie

Templo principal de Kratie

Bom, no próximo post contarei sobre Kampot e um resumo destas 2 semanas que passei no Camboja.

Bye ❤

F,

Siem Reap e os templos de Angkor

Sem dúvidas um dos itens que estava no topo da minha lista de ver/ir era os templos de Angkor em Siem Reap, norte do Camboja. Então sai de Phnom Penh as 8:30 da manhã para uma longa viagem rumo a SR, acho que foram umas 8 horas, a estrada era be ruim então o ônibus era bem lento, porém foi uma viagem ok (já tive piores, ou ainda, A PIOR, que contarei em breve). Chegando em SR dividi o tuktuk com uma chinesa que estava no mesmo hostel que eu em PP e acabamos fazendo várias coisas juntas nos próximos dias, além de uma holandesa que também chegou no albergue na mesma noite que nós.

Fiquei na mesma rede de hostel que havia ficado em PP, o One Stop Hostel, muito bom e bem localizado. Tinha reservado 3 noites, mas acabei ficando 5 e foi difícil ir embora. Siem Reap tem tantas coisas para fazer, além dos templos, vários restaurantes onde comidas típicas custavam entre 3-5 dólares, vários mercados, lojinhas e um Rio lindo que passa pela cidade. Enfim, amei!

Cheguei na quinta dia 19 e aproveitei para descansar no dia seguinte e trabalhar um pouco na minha dissertação, encontrei um café gostoso (The Blue Pumpkin, recomendo!) e lá fiquei trabalhando. Combinei com a holandesa de irmos aos templos para ver o o por-do-sol, pois lá os ingressos são separados por 1 dia, 3 dias ou 1 semana, cada um com um preço. O de 1 dia custa 20 dólares, ouch!, mas vale 24 horas, então eu pude ir ver o por-do-sol no dia anterior e poderia usar no dia seguinte o mesmo ticket.

Dividimos um tuktuk que custou 3 dólares cada, ele nos levou e ficou esperando por nós. O principal lugar para ver o pôr ou nascer do sol é no templo de Angkor, chegamos lá e como ainda tinha tempo aproveitamos para conhecer o templo que é gigante, não é por menos que este É o maior templo religioso do mundo, fato! Só que mais uma vez, por ser época de chuvas na região, caiu um temporal enquanto ainda estacamos lá. Começou a ficar escuro, e um guardinha foi nos indicando a saída. Esperamos um pouco para ver se a chuva ia parar, mas não. Então compramos uma capa de chuva e fomos ao encontro de nosso motorista, que já nos esperava há 1:30. Enfim, não teve pôr-do-sol mas estar dentro do Angkor em uma tempestade foi uma experiência e tanto!

A chuva!

A chuva!

No dia seguinte combinamos com o mesmo motorista para nos buscar as 4:30 da madrugada, para vermos o nascer do sol. Eta vontade hein! 😛

Bom aqui vale um parênteses para explicar o que são os templos de Angkor: Um dos mais importantes sítios arqueológicos do Sudeste Asiático, com mais de 400 km2, com templos que fizeram parte do império Khmer, entre os séculos 9 e 15.  Os templos eram primeiramente hindus e depois foram transformados em budistas. É o maior complexo religioso do mundo que inclui vários templos, Angkor Wat, Angkor Thom, Bayon, etc. É patrimônio da humanidade pela UNESCO e inclui não só os templos, mas também estruturas hidráulicas (bacias, diques, reservatórios, etc) e rotas de comunicação.

Bom, fomos então ver o nascer do sol e apesar de estar meio nublado foi incrível. Em seguida fomos conhecer os outros templos que fazer parte do small tour e lá por 11 horas da manhã já tínhamos terminado e estacamos morta! Nunca estive em um lugar tão húmido! Você soa, só de respirar, o que acaba sendo cansativo. Quando fomos ainda não estava tão cheio, o que deixa a visita mais agradável. Ninguém merece esperar os grupos de 50 chineses tirar foto um a um.

Ao chegar em Angkor Wat para ver o nascer do sol

Ao chegar em Angkor Wat para ver o nascer do sol

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Angkor Thom

Angkor Thom

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Nesta ponte tinham vários macacos!

Nesta ponte tinham vários macacos!

O templo ainda é frequentado por locais

O templo ainda é frequentado por locais

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Chegando em Angkor Wat

Chegando em Angkor Wat

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Bayon, este templo foi um dos lugares onde o filme Tomb Raider com a Angelina Jolie foi gravado.

Bayon, este templo foi um dos lugares onde o filme Tomb Raider com a Angelina Jolie foi gravado.

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Este é o templo mais incrível, é lindo ver como a natureza foi tomando conta.

Este é o templo mais incrível, é lindo ver como a natureza foi tomando conta.

Voltei para o hostel e desmaiei 😛 Dei uma volta pela cidade, comemos e decidi que iria a um concerto gratuito de um médico suíço Dr.Beat Richner, conhecido por Beatocello, que toca o Violoncelo e tem um trabalho incrível no país! O concerto é gratuito e foge um pouco das atrações turísticas da cidade. Não chega bem a ser um concerto, pois ele tocou só 2 músicas, uma no inicio e outro no final e passou um filme de uns 40 minutos sobre a história do trabalho que ele desenvolveu no país. Já construiu 5 hospitais, inclusive o concerto era no hospital, onde atende somente crianças gratuitamente. Crianças que sem estes hospitais não teriam a menos chance de sobreviver. O vídeo é lindo e não tem como não se emocionar. O médico tem apoio do Rei do Camboja mas 80% do budget to projeto é a partir de doações privadas, por isso o concerto. Valeu muito a pena ter ido, adorei.

Um dos trabalhos do Dr. Beatocello

Um dos trabalhos do Dr. Beatocello

Nos outros dias aproveitei para correr a beira do rio que passa pela cidade e é lindo. Um dia alugamos bicicletas e passeamos por ali também, super delícia.  Comi várias vezes Amok, o prato típico do Camboja, adorei, principalmente o de peixe.

Amok de peixe, o prato típico do Camboja, uma delícia!

Amok de peixe, o prato típico do Camboja, uma delícia!

Lugar delícia em Siem Reap para caminhar  ou só sentar no barquinha

Lugar delícia em Siem Reap para caminhar ou só sentar no barquinha

Em uma das noites fomos assistir o Phare um espetáculo de Circo que faz parte do projeto social Phare Ponleu Selpak, que trabalha com crianças e jovens de rua, orfanatos e oferece aulas de circo, teatro, vídeo e arte em geral. O trabalho começou há mais de 20 anos com crianças que retornaram dos campos de refugiados da época do Khmer Rouge. Hoje mais de 1,200 jovens frequentam o projeto. Eles fazem apresentações diárias em Siem Reap, sempre as 19:30. O ingresso custou 15 dólares, o que não é super barato, mas tive uma noite inesquecível! O circo é pequeno e cada show tem uma história, sempre trabalham com temas como discriminação, violência, etc e tem acrobacias, malabares, diversas coisas. E eles são MUITO BONS! Fora a energia que eles transmitem, é emocionante! Não tem como descrever, vale MUITO ir.

O circo!

O circo!

Já escrevi muito, mais uma vez, porém foram 5 noites e teria ficado mais tempo ainda 🙂 Siem Reap, vai além dos templos, foi ali que senti o verdadeiro Camboja, com todos seus problemas, mas com toda sua beleza, seja nos templos ou nos projetos sociais que estão fazendo diferença neste local. Foi incrível!

Em seguida parti para Kratie (nordeste do país) o qual contarei no próximo post.

❤ Siem Reap ❤ Camboja!

Beijos,

F.

Phnom Penh and the Killing Fields – Cambodia

Como agora estou viajando e fazendo inúmeras coisas (ok, nem tanto) estou bem atrasada nos posts, pois fiquei 3 noites em PP e mais 5 noites em Siem Reap de onde escrevo no momento. Então tentarei escrever posts mais resumidos de cada cidade, será que consigo? 😛

Phnom Penh (toda hora escrevo errado), foi uma grande surpresa. Gostei bastante da cidade, do seu caos, do seu rio, das pessoas, das variedades, mas também vi de forma muito clara a pobreza que assola este país, além do triste turismo sexual que atrai ocidentais-velhos-nojentos a este país, em números assustadores.

Fiquei em um hostel bem localizado , de frente ao Rio Tonle Sap (o rio Mekong também passa por lá) e pude andar aos principais pontos turísticos da cidade. Assim que cheguei já fui andar atrás de algum lugar para almoçar, mas foi meio divicil encontrar um local mais “local” porém encontrei, e meu almoço custou 1 dólar #iloveasia. De lá fui andando até o Mercado Central que tem uma arquitetura única e vale muito a visita. Lá eles vendem de tudo, muitas pedras preciosas (não sei quão verdadeiras são), mas também muitos souvenirs. Logo ao lado existe um shopping Sorya Shopping Center, que não é grandes coisas mas tem um supermercado legal e outras lojas, mas só produtos asiáticos, nada das grandes lojas. Saindo de lá fui presenteada com um belo por-do-sol.

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Tuktuks, muitos! Tinha que recusar uma viagem ao menos umas 20 vezes por dia.

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Asiáticos são excelentes eletricistas!

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Em alguma rua de Phnom Penh

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O mercado central ao fundo

Dentro do Mercado Central

Dentro do Mercado Central

Na orla onde as pessoas passeiam, fazem exercícios, jogam peteca, etc.

Na orla onde as pessoas passeiam, fazem exercícios, jogam peteca, etc.

Existe também o Royal Palace (palácio real) e o Museu Nacional que valem a visita.

A frente do palácio rela (pena que a foto ficou desfocada)

A frente do palácio rela (pena que a foto ficou desfocada)

Sabia que uma das principais atrações da cidade era o Killing Fields (Choueung Ek) (algo como um campo de concentração) porém ainda estava na dúvida se eu realmente queria ir ou não. Já tinha lido relatos de que era muito triste a visita e como não faz muito tempo visitei Auschwitz na Polônia e foi MUITO difícil e triste, continuava me perguntando se que queria enfrentar isso ou não. Acabei decidindo em ir,  1o por insistência dos motoristas de tuktuks, que estão espalhados pela cidade e que te oferecem uma corrida a cada 5 segundos e 2o porque achei que entender o que aconteceu neste país em sua história tão recente, me ajudaria a entender seu povo e o Camboja dos dias de hoje.

A história do Khmer Rouge (Khmer Vermelho) é longa e não saberia explicar muito bem, mas resumidamente seria: regime comunista liderado pelo psicopata Pol Pot, entre 1975 e 1979 que acreditava em uma reforma social e tinha como objetivo criar uma sociedade comunista puramente agrária. Ou seja, qualquer pessoa que tinha estudos ou uma profissão que não fosse de agricultor, deveria ser excluído. Estima-se que cerca de 2 milhões de cambojanos (na época 1/3 da população do país) tenham morrido em ondas de assassinatos, tortura e fome. Estima-se que houveram 300 campos de matança (como o que eu visitei) espalhados pelo país. 

Bom, deu para perceber que foi algo tenebroso né? A visita ao local é de cortar o coração. É uma visita de 1 hora com um audio-guia que vai nos contanto sobre o local e a história. O local em si é lindo, cheio de árvores, uma paz. Mal é possível associar o local com o passado recente que ali aconteceu.

Monumento em homenagem as vitimas. É lá que os ossos e crânios estão guardados.

Monumento em homenagem as vitimas. É lá que os ossos e crânios estão guardados.

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Lindo local em frente a um lago onde você podia sentar e ouvir no seu audio-guia, histórias de sobrevivente.

Lindo local em frente a um lago onde você podia sentar e ouvir no seu audio-guia, histórias de sobrevivente.

Não existem “estruturas” em si, pois tudo foi destruído, mas a história é contada muito bem, e é possível ver roupas, ossos, e as valas onde os corpos eram jogados. Os cambojanos que estavam presos em outro local, eram trazidos a este campo durante a noite, e aqui morreriam naquela mesma noite. A crueldade era inimaginável, pois eles não usavam balas para matar as pessoas, uma vez que era muito caro, então eles usavam o que tinham disponível em termos de instrumentos de agricultura (pá, machado, foice, etc), terrível. Um dos pontos mais dolorosos da visita e uma árvore em específico que o audio-guia conta que era dali que bebes eram arremessados. Além disso, música comunista era tocada no volume máximo, todas as noites, para abafar os gritos e para que os demais pensassem que aquele local não se passava de um local de encontro do partido comunista. O campo em si fica 15km de Phnom Penh.

No monumento principal do campo existe algo como uma pagoda (templo) onde cerca de 3 mil crânios esta expostos e organizados de diferentes formas, de acordo de como eles foram assassinados. Existe também um museu, com uma maior explicação e alguns objetos encontrados no local.

Saindo de lá ainda faz parte ir ao Tuol Sleng Genocide Museum (Museu do Genocidio) que é uma antiga escola onde os Khmer usava como prisão e por ali estima-se ter passado mais de 20,000 pessoas, que depois foram levadas para o Killing Fields. Mais uma vez, muita crueldade, instrumentos de tortura, que eram utilizados para arrancar confissão dos prisioneiros. Mesmo estes sendo inocentes, acabavam confessando que seriam contra do Khmer, tamanha loucura deste líder. É possível ver as fotos de diversos prisioneiros e ler relatos de alguns sobreviventes.

Bom, depois disso tudo o que dizer? Como o líder do seu próprio país pode matar seu próprio povo? Isso tudo aconteceu quando meus pais já eram vivos! Tudo isso deixou marcas no país, é obvio. Além disso existem as marcas deixadas também pela guerra do Vietnã, onde o país também foi altamente bombardeado e muitas minas ainda estão espalhadas pelos campos deste país. O que dizer de países como os EUA (no caso da guerra do Vietnã) ou a China (que apoiou o governo de Pol Pot) ou até de todo comunidade internacional que deixou até 1993 o Khmer ter assento nas Nações Unidas e que até hoje poucos foram julgados e condenados pelos crimes que cometeram?

Enfim, é impossível entender. Minha admiração por este povo tão carente mas tão generoso em sorrisos!

Phnom Penh foi minha porta de entrada neste país com uma historial cruel recente, mas com belezas naturais e pessoas incríveis pela qual já conquistaram meu coração.

Em breve contarei sobre Siem Reap e os templos de Angkor, meu próximo destino.

Beijos,

F.

Cruzando a fronteira Tailândia – Camboja até Koh Kong

As 6 da manhã no domingo do dia 15 de Junho uma van me buscou no hostel em que estava em Koh Chang, desta vez rumo ao Camboja. O ticket custou 450 Baht ( R$30,00) e incluía a ida até o pier, a passagem da balsa, mini van até a fronteira e transporte ao cruzar a fronteira até a cidade. Ou seja, uma pequena peregrinação, mas que não durou tanto assim (se comparado a outros trechos aqui pela Ásia). Pegamos a balsa as 8:30 e para minha surpresa, ou não, eu era a única “gringa” do grupo, o restante que lotava a van pareciam ser todos de uma família.

A viagem de Trat (Thailand) até Had Lek a cidade da fronteira, são apenas 89km, mas não me lembro quanto tempo durou, talvez umas 3 horas. Chegando a fronteira, eu queria trocar Baht (a moeda da Tailândia) por dólar americano, pois sabia que o visto de entrada do Camboja custava 20$ e caso você tivesse só Baht os policiais tentam falar um preço mais alto e quando você vê, acabou pagando 35$. Como era na frontes acabei pegando uma cotação bem ruim, mas mesmo assim troquei e segui adiante para dar “saída” da Tailândia.

Nisso, eu já carregava minha mochila pois supostamente do outro lado eu teria uma outra van me esperando, para isso o motorista da van anterior me deu um adesivo para colar em minha blusa, pois assim seria identificada.

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Um mapa para ter uma idéia de onde estava vindo (Trat) até Koh Kong.

Bom, chegando a porta de imigração do Camboja, eu já estava ligada em quase todos os “esquemas” que tentariam me passar, pois este é um tema muito difundido tanto em blogs de viagem até no guia Lonely Planet que eu tenho. Chegando a imigração um rapaz já foi me guiando até o guiche e pegou o papel que deveria ser preenchido, e ele mesmo queria preencher. Uma maneira simples de ganhar um trocado, mas disse que não, agradeci e pronto. Quando conclui de preencher, entreguei meu passaporte, com o formulário e uma foto 3×4 e os 20 dólares. Do outro lado um guarda nada simpático ou feliz com seu trabalho me disse: 1200 Baht (35 dólares), e eu: Não, desculpe eu não tenho mais Baht e eu sei que o preço oficial é 20 dólares. Ele nem ligou me entregou meu passaporte de volta com tudo e fechou a janela pela qual nos comunicamos.

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A parte Tailandesa da imigração.

Nisso, meu sentimento de raiva e frustração com o país e com pessoas altamente corruptas como aquele ser, tomaram conta de mim e minha vontade era chorar, pois não seria condescendente com tamanha falta de respeito e corrupção.

Tentei perguntar para outros guardas nas outras salas, só um detalhe: era um lugar MUITO simples, tipo BEM pobre, tudo. Nem um outro policial quis me ajudar e disse que eu teria que falar com o outro guarda mesmo. Voltei a “janela” tentei convence-lo e tentei os argumentos de: sou estudante, não tenho dinheiro, sou brasileira (tipo: somos pobres também), etc.. nisso ele viu que seria meio difícil a mochileira aqui ceder e o preço foi para 800 Bath (R$55,00), isso é ainda mais que 20 dólares. Mesmo assim, ainda não concordei, janelinha fechada pra mim de novo!

Ai que ódio! Ai que raiva! Nisso esse guarda saiu e foi descansar lá fora e falei com outro guarda da sala, desta vez já oferecendo os 20 doláres, mais 100 Baht (que é o valor que os corruptos pedem em outras fronteiras, de acordo com os relatos de viagem que li). No final ele aceitou. Ufa, graças a Deus!

Passando a imigração, fui procurar minha van, nisso vários já tinham se aproximado oferecendo moto-taxi, mas eu fui atrás da van, pois tinha pago por isso. Após andar e andar a tal da van não estava lá, se é que esteve algum dia. Nisso acabei aceitando um moto-taxi por 100 Baht para me levar até a cidade. Não tinha onde dormir ainda e ele me levou para ver uma guesthouse (tipo pousada). Aqui é normal os motoristas de tuk-tuks ou motos, sempre tem contato com alguma pousada, na qual da uma comissão a eles, quando estes levam um hóspede novo ao local. A 1a pousada era bem suja e fico feliz em não ter aceitado, nisso ele me levou a mais 2 porém era caras e não tão bem localizadas. Acabei ficando no 4o lugar que vi, era de frente ao rio e foi 10 dólares para um quarto enorme, com tv e banheiro, um luxo! E super limpo.

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Minha luxuosa pousada 🙂

O clima ainda continuava nublado e chuvoso, assim como em Koh Chang, então sabia que não teria muito o que fazer neste lugar.

Koh Kong é uma cidade mas também tem uma ilha, na qual você pode ir para passar o dia, uma vez que não existe nenhuma acomodação no local. Pelo que li esta é uma região que o Camboja quer vender como a região do eco-turismo. Com praias, cachoeiras, trilhas, etc. Não consegui aproveitar isso, e a cidade em si é bem pequena, com quase nenhuma opção de restaurante. Aproveitei para descansar e já tinha comprado, com a ajuda do meu moto-taxi, a passagem no dia seguinte as 7:30 para Phnom Pehn, capital do Camboja.

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Tinha até sacada! E esta era a vista da cidade.

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Um por-do-sol singelo.

No dia seguinte fui para a “rodoviária” e o ônibus quase lotado, mais uma vez só eu de estrangeira, saímos com um belo atraso e foi uma viagem longa! Umas 8 horas, sendo que no ônibus tem TV e o hábito aqui é passar videoclips, filmes e shows em geral durante a viagem. Só que em geral é muito alto! E as músicas são muito irritantes :/ Bom, coloquei meu fone, música no volume máximo, e mesmo assim foi difícil! Paramos algumas vezes, sempre em lugares bem sujos e feios, ahahha onde comer seria um ato de bravura. Detalhe a passagem foi 12 dólares.

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O ônibus que me levou, por longas horas, até PP.

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Era um ônibus bem simples mas tinha TV, o que percebi ser algo comum e frequente por aqui. Detalhe: eles ligam no ultimo volume! Quase considero uma tortura.

O caminho é pela zona rural do Camboja, com muito lixo, muitas vacas comendo o lixo (me senti na Índia), mas também arrozais, que são lindos de ver.

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Pela estrada. Pena que não consegui uma foto onde o cenário era o mesmo, mas ainda tinham vacas.

Cheguei em Phnom Penh morta com farofa e ainda tive um stress com o motorista do tuk tuk que me levou da rodoviária até o hostel, mas felizmente tudo foi resolvido. Descansei um pouco e sai para conhecer a cidade onde fiquei por 3 noites e contarei mais em breve.

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Meu tuktuk em PP.

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No Camboja é bizarro o que eles conseguem colocar e quantas pessoas eles conseguem andar em uma scooter. Neste caso tinham 3 cachorros, se equilibrando…

Beijos,

F.

Koh Chang, Thailand

Tinha programado alguns dias de descanso antes de iniciar minha “jornada” e em minha mente isso seria perfeito com sun, sand and sea (sol, areia e mar), ou seja, praia!

Queria ter ido inicialmente para a região do mar de Andaman na Tailândia (Phuket, Krabi, etc), porém deixei para comprar os tickets muito em cima da hora e já estavam caros (e é muito longe para ir de ônibus de Bangkok), então acabei escolhendo Koh Chang, que li em vários blogs dizendo que era um lugar lindo etc e por sua vez, estaria perto da fronteira com o Camboja, meu próximo destino.

Sai de Bagkok com um ônibus público (muito bom por sinal) a passagem custou 275 Baht (R$ 20,00) e após umas 5 horas de estrada o motorista nos largou no pier para pegar a balsa para Koh Chang. Sim, Koh significa ilha e esta é a 2o maior ilha da Tailândia. Changando no pier uma chuva tenebrosa estava caindo, o que não é o clima ideal para pegar uma balsa no Golfo da Tailândia, certo? Graças a Deus, depois de esperar mais ou menos 1 hora o tempo melhorou e lá fomos nós na balsa. Após 45 minutos, desembarcamos na ilha.

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DSC_1893 Chegando na ilha

 

Já tinha feito reserva em um dos poucos hostels de lá e sabia que teria que pegar um “taxi” para chegar até lá. Os taxis de lá são pick-ups onde eles levam várias pessoas ao mesmo tempo (já tinha usado algo assim no norte da Tailândia em Chiang Mai), quando chegamos então, eu e mais os outros 4 turistas, mais uma thai, negociamos para o motorista nos deixar em nossos destinos, a negociação foi dura, pois ele queria esperar a próxima balsa, isso já era por volta de 17h, sendo que saímos de viagem as 9 da manhã, ou seja, já estacamos todos muito cansados. Enfim, conseguimos negociar, mas eu tive que pagar mais que todos, pois meu hotel, supostamente era o mais longe. E sim, era! Era no sul da ilha na praia de Bagbao, e do pier até lá demorou algo como 1 hora! Em uma estrada cheia de curvas e montanhas, o que não foi muito confortável.

Bom, resumindo, agora é a época de monções no Sudeste asiático, isso significa: chuvas. Eu cometi um erro básico em não verificar a previsão do tempo e desde que cheguei no pier na ida, até o momento da volta, não parou de chover! Ou seja, meus planos de curtir uma praia paradisíaca foram por chuva abaixo 😦

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O amigo que encontrei na Public Beach

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Lonely Beach

Nisso acabei encurtando minha estadia na ilha, pois além de não poder curtir o que tinha planejado, lá é muito difícil de se locomover e caro! A não ser que você alugue uma moto, o que não é o meu caro (por enquanto). Fora o fato de que eu estava quase que na última praia, longe de tudo. Então acabei ficando só 2 noites na ilha então na manhã de domingo dia 15/06 comecei outra peregrinação, desta vez rumo ao Camboja (tema do próximo post).

A ilha é muito bonita de fato, com muito verde e praias lindas. Tem uma vibe meio hippie e imagino que na alta temporada deva lotar de gente. Consegui caminhar um pouco fui até a public beach, que era a mais próxima do meu hostel (uns 20 min caminhando) e fui à lonely beach, uma das mais famosas. A água estava até quentinha, porém com aquele clima nublado, não tive vontade de me aventurar.

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Mango Lassi. Essa é uma bebida típica indiana que tomei em Lonely Beach, uma delícia!

Pelo que vi existem tours de barco para passar o dia fazendo snorkeling etc, o que teria sido muito divertido.

O hostel que fiquei chama Asia’s Backpacker e reservei o dormitório feminino, porém como é baixa temporada tive o quarto só pra mim 🙂

Porém uma coisa triste que vi é que por ser uma ilha, eles enfrentam dificuldade em gerenciar o lixo e por vezes caminhando, existem concentrações de lixo em diversas partes da ilha. Inclusive perto dos rios e do mar, muito triste ver uma ilha tão linda, cheia de verde, porém cheia de lixo.

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Aqui tinha um riacho, cheio de lixo e mais ao fundo é possível ver a pilha de sacos de lixo.

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A praia!

Apesar de tudo não me arrependo de ter ido, porém se eu tivesse verificado a previsão do tempo teria escolhido não ir, uma vez que é um local de difícil acesso e a não ser que esteja sol, não há muito o que fazer.

See ya!

F.

Bangkok again

Saindo do Laos, com uma mala de uns 30Kg mais uma mochila de 50L (de uns 10kg) sabia que minha melhor opção seria ir via trem, uma vez que desta forma posso levar o quanto quiser de bagagem (o quanto meus braços conseguirem carregar) e foi isso que fiz.

Comprei a passagem com uma agência em Vientiane por 850 Baht (uns R$ 60,00) que incluía me buscar em casa (em uma van), me deixar na estação de trem de Vientiane onde peguei um trem que foi super rápido, uns 15 minutos, só para cruzar a ponte da amizade para a Tailândia e lá dei entrada no país e esperei mais um pouco até pegar o trem do trecho Nong Khai-Bagkok. Engraçado foi na entrada da Tailândia, como agora com o “golpe de Estado”, são os militares os responsáveis em monitorar as fronteiras, quando eles viram que eu era Brasileira, não teve um que não ficou animado, e não falou algo como: Copa do Mundo, Brasil o melhor, Neymar, etc. Achei o máximo! ahahha

A viagem foi tranquila, tudo bem que foram 12 horas, mas a poltrona do trem virava uma cama, até que confortável, então com a ajuda de um dramin 😛 dormi quase a viagem inteira, até as 6 da manhã quando cheguei em Bagkok.

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No ínicio, as poltronas.

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Depois, as camas. Eram “2 andares”.

Minha principal intenção de ir a Bangkok era renovar meu passaporte, pois só me restava mais uma página, e guardar minha mala grande lá, pois meu vôo de retorno à Europa (onde estudo) sai de lá. Enfim, no mesmo dia que cheguei logo cedo já fui direto a Embaixada Brasileira, que era bem pequena até. Tipo um escritório dentro de um prédio comercial, e os funcionários, pelo menos os que eu vi, eram todos tailândeses e falam um português bem fofo. Fiz todos os tramites e como havia me informado pelo website, o passaporte demoraria 3 dias úteis para ficar pronto. Para minha surpresa, em menos de 1 hora já estava eu, saindo com meu novo passaporte em mãos. Brasileiros+tailandeses = muita eficiência!

Na verdade, como a moça que me atendeu sabia que eu não morava lá, ela falou que iria agilizar pra mim, porém nunca pensei que seria tão rápido. Saindo de lá peguei o metro e fui para o Siam Square, uma área de shoppings de Bangkok. Sim, shame on me, que vergonha, confesso, eu estava necessitada de uma ida ao cinema, depois de mais de 4 meses sem ir hahaha 🙂

 

Existem vários shoppings ali, um mais chic, outro só de roupas, outro com aquário, etc, as variedades são intermináveis. Fiquei super surpresa e me senti, agora sim, em uma Ásia super moderna no estilo Japão. Precisava comprar algumas coisas para minha viagem, então andei por todos os shoppings até não aguentar mais. Existe lá perto um shopping enorme chamado MBK, que é mais popular e vende de tudo!

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Tive que registrar 😛 No shopping chic, tinha a privada “Japonesa”, no mínimo divertido!

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Saindo do MBK estava rolando um live de Muay Thai, o boxe tailandês, tradicional aqui, como o nome já diz. Eu nunca tinha visto e apesar de não gostar de luta, curti assistir a uma “partida”. Apesar desta foto, quem ganhou foi o de vermelho 🙂

Acabei conseguindo ir ao cinema só no dia seguinte, e tive uma das experiências mais “diferentes” para não usar a palavra bizarra, de meu tempo pela Ásia. Primeiro que a sala do cinema, abre exatamente no horário que o filme está marcado, então enquanto as pessoas estão entrando para procurar sue assento, os trailers já começaram. Isso (os trailers) duraram acho que uns 25-30 minutos, sério! Ai, a parte bizarra, antes do filme começar começa a passar um filme com o hino da realeza de fundo e TODOS ficam de pé em reverência ao Rei. Estou falando de uma sala de cinema gigante, com umas 300 pessoas (ok, não tenho idéia de quantas eram, mas este é meu chute), claro que eu levantei imediatamente e fiquei num misto de não sabia se tentava tirar uma foto ou filmar este momento, se ria, sei lá. O filme mostrava imagens do Rei, fazendo boas ações ao longo de sua vida, etc.. Só sigo que foi uma experiência cultural inesquecível! ahhaha

Neste mesmo dia, mais cedo, eu levei minha mala para guardar em um lugar de self-storage (tipo depósito), foi a melhor opção que encontrei, pois guardar no aeroporto sairia muito caro, e em alguns albergues eles até aceitam guardar, porém como teria que deixar por um período longo (talvez 5 meses), acabei preferindo esta opção.

Acabei ficando em Bangkok menos tempo do que eu havia previsto, já que meu passaporte ficou pronto the flash. Desta vez não visitei nada “turístico” e me concentrei na parte mais moderna da cidade. Foi quase como conhecer uma nova cidade, adorei. O hostel que fiquei foi super bom, chama We Bagkok Hostel (http://www.we-bangkok.com) e ficava perto de uma estação de skytrain (acho que seria algo como o monotrilho) então era fácil se locomover. Foi lá que na madrugada do dia 13 de junho, assisti o jogo do Brasil! 🙂

No dia seguinte (14/06) fui cedo para a estação de ônibus para ir para Koh Chang, uma ilha no Golfo da Tailândia, mas que fica para o próximo post (Y)

Até breve,

F.

Goodbye Laos

Já devia ter escrito este post antes, porém não tive tempo e/ou inspiração.

Tudo aconteceu muito rápido e quando vi já estava de mala pronta e mochila nas costas para ir embora do Laos. Por uma combinação de fatores diferentes decidi encurtar meu período previsto de estadia no país, mas com o intuito de começar outra aventura, já que queria algo mais dinâmico para os meses que me restam aqui na Ásia.

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Como já tinha completado 3 meses de estágio, percebi que não teria muitos desafios para os 3 meses que ainda me restariam caso eu ficasse no Laos. Então conversei com meu chefe e ele entendeu meu dilema, no caso, eu falei para ele que queria usar o tempo que me resta aqui na Ásia para visitar os outros países e dar continuidade a minha pesquisa de campo. Para os que não sabem, não estou aqui a passeio 🙂 #iwhish e sim vim fazer um estágio e minha pesquisa de campo + escrever minha tese de mestrado. Ou seja, uma batia responsabilidade. Portanto o estágio eu já conclui, agora falta o restante.

Três meses no Laos, na verdade foi até mais que 3 meses, no total foram 100 dias! E sem duvidas este foi um dos maiores desafios da minha vida. Nada do que eu li ou pesquisei poderia ter me preparado para viver neste país. No inicio não foi fácil, foi bem difícil, adaptar-se a uma cultura e a um ritmo de vida tão diferente do que já tinha experiência (diga-se o mundo ocidental) foi um belo desafio.

Mas foi vivendo neste país, andando de bicicleta pra cima e pra baixo, que aprendi a dar valor a uma vida simples e pude me conhecer mais, e acima de tudo, algo que eu sempre quis, pude expandir meus limites. Ou ainda, minhas limitações.

Tenho certeza agora de que não quero me matar de trabalhar para acumular bens materiais, pois a beleza da vida esta nas experiências e momentos que vivemos e compartilhamos com o próximo. Em questão de alguns dias já não olhava com espanto ou com olhar de crítica às coisas que antes desconhecia. Me adaptei, aprendi e pude ensinar também. 

Mesmo em tão pouco tempo, conheci pessoas muito queridas que levarei em meu coração, pude também ter uma primeira experiência em liderar e ensinar, mesmo que muito breve, os adolescentes da igreja que ali frequentei. E tudo isso foi tão válido. Tive a oportunidade de aprender a depender 100% de Deus, pois em meios as dificuldades, estando ali sozinha, no desconhecido, sabia que Ele estava comigo, e que se muitas vezes me perguntei: porque eu vim parar neste país? Hoje eu sei que tudo valeu a pena.

Realizei um dos meus maiores sonhos de trabalhar nas Nações Unidas (onde fiz meu estágio) e apesar de não ter sido como eu imaginava, foi um aprendizado incrível e deixei boas impressões de uma brasileira que sabe ser uma boa profissional e trabalhar em um ambiente multicultural.

Podia ter feito certas coisas melhores, mas não me arrependo de nada e só levo boas lembranças. Sendo bem realista acho difícil um dia eu voltar ao Laos (nunca se sabe né?) mas não vejo a hora de contar aos meus futuros filhos as histórias que ali vivi.

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Vientiane, capital do Laos e onde eu morei, como contei em outro post, poderia ser comparada a uma cidade do interior do Brasil, bem simples, sem muita coisa pra fazer e sem pouca presença do mundo ocidental (não tem McDonald’s – em Bangkok está cheio – cinema, shopping, etc). Sou grata por ter vindo parar neste lugar, pois se tivesse ficado em uma cidade grande no estilo de Bangkok, eu acabaria me refugiando na parte moderna e ocidentalizada da cidade e pouco teria imergido na cultura do país, diferente do que aconteceu no Laos.

Bom é isso, termino mais um capítulo de minha vida, a experiência de morar no Laos, e agora começo outra: 5 meses, 1 mochila nas costas e nenhum roteiro a seguir.

É isso mesmo, vou viajar pelo Sudeste Asiático durante este tempo, bom, pelo menos este é o plano, ao mesmo tempo irei escrever minha dissertação do mestrado. Ou seja, um mega desafio. Estou consciente que parece loucura, e não sei se irei conseguir, mas já que estou aqui, porque não tentar?

Beijos,

F.