Roteiro para 30 dias no Sudeste Asiático!

Eu fui uma grande felizarda em poder explorar o Sudeste Asiático ao longo de 8 meses, porém sei que pouquíssimos tem esta quantidade de tempo e infelizmente devem se contentar em escolher quais lugares exatos ir, em apenas 30 dias, durante as férias do trabalho e/ou estudos.

É possível conhecer a região em 30 dias? Não, é claro. Porém é possível passar por lugares incríveis e sim conhecer cidades e pessoas que farão com que você ainda volte para esta região, assim que possível.

Assim como um roteiro na Europa, é muito melhor tentar se concentrar em 3-4 países, ao invés de 10, pois assim você realmente não irá conhecer nada, a não ser que você seja o tipo de turista que só se importa em ter uma foto no ponto turístico X e segue adiante.

Este roteiro varia em relação ao que você busca neste subcontinente. Você quer ver de tudo um pouco? Praias belíssimas, templos reluzentes, prédios futurístico? Baladas históricas, passeios feitos SÓ para os turistas?

As opções são inúmeras, e é difícil eu selecionar quais são os lugares mais tops que eu voltaria caso eu tivesse apenas 30 dias, mas vamos lá:

Chegaria por Bangkok (Tailândia) – 2 dias

Seguiria para Chiang Mai (Tailândia) – 3 dias

Voaria para Yangon (Myanmar) – 2 dias

Ônibus noturno para Bagan (Myanmar) – 2 dias

Ônibus noturno para Mandalay (Myanmar) 2 dias

Voaria para Hanói (Vietnã) – 2 dias

de Hanói sai o tour para Halong Bay – 2 dias

quando voltasse para Hanói vindo de Halong Bay, pegaria o bus noturno para SAPA (trekking)- 3 dias

Voaria para Hoi An (o aeroporto fica em Danang) – 4 dias

Voaria para Siem Reap (Camboja) – 3 dias

Voaria para Krabi (Tailândia) –  3 dias

Koh Pi Pi – 2 dias – Retorno para Bangkok para pegar o vôo de volta.

30 DIAS!

Este é um roteiro BEM intenso e que se for incluir o tempo gasto com transfers, talvez não seja possível e uma cidade teria que ser cortada.

É um roteiro que não esta incluso muita praia, então se você busca mais praias este roteiro teria que ser adaptado.

É claro que Malásia, Cingapura e Indonésia são incríveis, porém par suma primeira viagem para a região, escolhas devem ser feitas. No total neste roteiro seria possível conhecer bem 4 países.

Espero que este roteiro ajude algum de vocês que está planejando um mochilão para esta região 🙂

Qualquer dúvida, ficarei feliz em ajudar.

Ps.: Tirando Krabi e Koh Pi Pi, na Tailândia, todos os outros lugares eu fui e é possível encontrar mais informações aqui no blog.

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Cheers,

F. ❤

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Hostels? Minhas dicas e experiências

Faz parte da realidade dos mochileiros que viajam com um orçamento apertado, ficar em albergues (eu prefiro chamar de hostel). É bem mais barato que um quarto de hotel, você conhece outros viajantes, alguns organizam festas ou tours, etc… e é especialmente mais viavel para aqueles que viajam sozinhos, como eu. Acho que a primeira vez que fiquei em um hostel foi em Miami em 2008, junto com minha irmã Fernanda, desde aquele época já perdi as contas em quantos hostels fiquei, mas com certeza foram muitos.

Qualquer lugar que eu vá, pode ter certeza que um dos primeiros sites que checo é o hostelworld.com site onde eu faço minhas reservas, sempre com base nas resenhas de outros viajantes, o que eu acho fundamental. Entre os pontos que mais valorizo estão: limpeza e localização. É baseado nisso que em geral faço minhas escolhas.

Tenho preferencia tambem por dormitórios só para mulheres, pois me sinto mais confortável, se tiver que trocar de roupa não tem problema, você coloca o pijama que quiser, etc… Fora que em geral homens roncam mais! Também tento escolher quanto menos cama, melhor, em geral um dormitorio não terá menos que 4 camas, podendo chegar até 22–28! A lógica é que quantos mais gente, mais barulho, mais agendas e horários diferentes e menos paz para dormir. Até agora que eu me lembre o dormitório com mais gente que dormi foi em Manila, nas Filipinas, onde fiquei em um quarto para 16 mulheres! Até que não foi tão traumático, mas o banheiro era impossivel ficar limpo, com este tanto de gente. Já fiquei em muito quarto mixto também e não tenho problema com isso até porque todas minhas histórias mais doidas em hostels foram causadas por mulheres!

Já tive experiências bizarras em hostels e olha que em geral tento escolher os que não são publicamente posicionados como party hostels, pois nesses sim, deve acontecer de tudo! Em janeiro quando fui para Londres com minhas irmãs, ficamos em em dorm feminino para 10, e se eu consegui dormir 1 noite inteira foi muito, pois era uma mistura, tinha a chinesas que ficavam até tarde fazendo compras e chegavam no quarto e queriam arrumar TODAS as sacolas (peguei trauma de barulho de sacola! E de fato chineses não tem muita noção e falam alto e fazem barulho sem se preocupar com os outros!), tinha uma vovó (sério ela tinha uns 60 anos) que roncava mais que um trator e a cereja do bolo, ou a historia mais inacreditável foi de uma menina X que trouxe um “amigo” durante a noite e não se importou que as beliches eram uma coladas na outra e fez o que bem queria, se é que me entendem! Pelo que analisei (parece até coisa séria ahahha) na Europa em geral os mochileiros vão para festar ou no caso dos asiáticos para fazer compras… Isso generalizando muito grotescamente, então acho que o povo não tem uma etiqueta mais sociável e respeitosa (tirando se você quiser festa) nos albergues, algo diferente aqui pela Ásia.

Aqui o povo, em geral sabe que uma noite bem dormida é valioso, pois viajar por aqui é muito mais trabalhoso do que na Europa, é claro. Tirando os Irlandeses, Britânicos e Australianos que são os que vêm até a Ásia só em busca de droga e cachaça barata o resto sabe balancear melhor. Nossa já divaguei demais hahah mas é para dizer que eu admiro os viajantes que respeitam os demais que estão no mesmo dorm. Desde que estou viajando pela Ásia tem sido tranquilo, a não ser em Hanoi quando estava em um dorm com uma louca, sério ela tinha problemas e nem o pessoal do hostel sabia o que fazer com ela, ela se trancava no banheiro, no escuro com o chuveiro ligado, e tinha alugado um moto na cidade e não queria pagar, até que a policia a levou até o hostel e fez eles pagarem! Entre outras coisas… Eu não dei muito papo pra ela, mas fiquei feliz que tinham outras pessoas dormindo junto no mesmo quarto! E mais recente (tipo, ontem) um grupo de 4 irlandesas voltaram mucho locas da balada, tudo bêbadas, fazendo barulho é claro, até que elas pareciam estarem dormindo quando uma delas abaixou as calças e fez xixi no meio do quarto! Depois ela deitou encima das malas (delas) e foi bater na porta para alguém abrir, mas detalhe: ela já estava do lado de dentro! É engraçado para não dizer trágico! Mas eu já estava de saco cheio, pois tinha que acordar cedo para ir mergulhar e fiquei umas 2–3 acordada enquanto tudo isso acontecia, isso porque essa mesma menina tinha trazido um rapaz para o quarto (que também estava hospedado no hostel) e ai o segurança teve que vir umas 2 vezes retirá-lo, pois não é permitido.

Anyway, depois de toda essa novela, hoje em dia não viajo mais sem tampão de ouvido (isso é vida!) e tapa olho. Não uso sempre, mas quando vejo que vou precisar, entro na minha “bolha” e durmo feliz 🙂

Fora isso eu curto ficar em hostel, já conheci muita gente bacana, pessoas que estão dando a volta ao mundo, ou simplesmente curtindo as férias. É uma oportunidade incrivel para conhecer pessoas incríveis e eu tento estar aberta a isso… Confesso que após tanto tempo viajando você já sabe como vai ser a conversa inicial (pra onde vai, de onde veio, há quanto tempo esta viajando, de onde vem, etc) e não é sempre que tenho ânimo, mas faz parte.

Recomendo ficar em hostel pela experiência e hoje cada vez mais eles estão ficando mais confortáveis e é claro o bolso agradece 🙂

Tinha tirado fotos ótimas para mostar o hostel em que estava, onde o episódio das bêbadas aconteceu, porém tive meu celular roubado em Manila 😦 então vou colocar uma foto do hostel que estou neste exato momento.

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Adoro quando tem esta “cortina” é ótimo para dormir tranquilo. Neste também tem luz e tomada individual, o que é 10! Ah by the way, este hostel é em Kuala Lumpur, Malásia.

Ps. Estou mega atrasada nos posts, pois estou sem meu computador há uns 12 dias 😦 no momento esta no concerto, então vou tentar atualizar aqui pelo iPad para não ficar mais atrasado ainda. 🙂

Cheers,

Flavia

O que você deve saber sobre viajar no Camboja

Queria fazer um post resumindo como foi viajar por 2 semanas pelo Camboja, os seus prós e contras e o que eu gostaria que alguém tivesse me informado antes 🙂

1. Muitas horas para poucos quilômetros:

Bom, viajar de ônibus como eu fiz não é nada fácil. As estradas são todas em péssima qualidade, inclusive a estrada que liga Siem Reap a Phnom Pehn, ou seja  rota mais turística do país que são apenas 321km, demorei cerca de 8 horas! Cada vez que viajava de uma cidade a outra, sabia que seria um dia inteiro dentro de um ônibus sem banheiro, com tv e músicas em khmer no ultimo volume e as paradas para uso do banheiro e para comer eram em lugares nada convidativos. Existe a possibilidade de voar com Air Asia (a low cost da região) de Phnom Penh para Siem Reap, o que para quem não tem muito tempo facilita bastante. Outra coisa que torna mais difícil viajar pelo país é que não existem muitas rodovias por exemplo conectando o oeste com o lest do país e tudo acaba tendo que passar por Phnom Penh que esta no centro do país, ou seja, leva mais tempo ainda. Então já sabe, se prepare mentalmente que seja, ou trazendo consigo um bom livro 🙂

Na rodoviária

Na rodoviária

2. Dolar vs. Riel?

A moeda oficial do país é o Riel, outra moeda que não tem “moeda”, só notas. Porém é possível pagar TUDO com dólar americano, porém mais uma vez eles só usam notas de dólar e não as moedas. Mas o que torna essa estória um pouco confusa é que quando se paga algo em dólar americano, o troco em geral vem um pouco em dólar e outro pouco em Riel, isso porque 1 dólar = 4000 Riel, ou seja se eles tem que te dar de troco 5,50, eles te dariam 5 dólares e 2000 Riel. Entende? No inicio é confuso, mas depois é tranquilo. Porém para quem vem da Tailândia existe um “esquema” comum onde antes de atravessar a fronteira alguém “muy amigo” diz que voce deve trocar seus Baht (moeda da Tailândia) e seus dólares por Riel, pois não são aceitos no Camboja, o que é mentira, e nisso você acaba perdendo muito em um câmbio nada favorável. Então para quem vier traga dólares americanos ou até melhor deixe para sacar o dinheiro lá pois em todos ATMs (os caixas) é possível sacar em dólar americano.

Dolárs e Riel

Dolárs e Riel

Foto credit

3. Visto e scams “golpes”

Bom, o Camboja é um dos países onde para quase todas as nacionalidades é possível tirar “visa on arrival”, ou seja é só chegar seja via terrestre ou aéreo, preencher uma ficha, entregar uma foto 3×4, seu passaporte e U$ 20,00 e você tem um visto emitido na hora que te permite ficar no país por 30 dias. Nada mal, certo? Porém para quem vem via terrestre está fadado a boa vontade dos policiais que infelizmente estão todos trabalhando no “modo: corrupto”. Tive uma péssima experiência como contei no post anterior, porém fiquei sabendo de experiências piores ainda. Isso porquê não usei a fronteira mais comum que é para quem vem de Bangkok para Siem Reap, lá o esquema é mais elaborado e é difícil você conseguir um visto pagando o tal dos 20 dólares. Conheci uma brasileira no hostel em Siem Reap que teve uma experiência horrível, e acabou pagando cerca de 60 dólares pois eles fazem de um jeito que não te dá muita escolha. No meu caso depois de quase implorar paguei praticamente o preço oficial, tirando a “caixinha”. Então minha recomendação seria tirar o e-visa, fornecido pelo governo, tudo online, é só preencher pelo website e imprimir o comprovante, chegando na fronteira eles te dão seu visto. Isso custa U$ 25,00 mas evita os “extras” e o stress. É só usar este link: http://evisa.mfaic.gov.kh/ContactInformation.aspx  Ou ainda para aqueles que sabem que virão, no dia X etc, tire o visto antes de viajar. Obs.: Existe um golpe muito comum em Siem Reap onde crianças se aproximam de você falando que não querem dinheiro, querem leite, e te pedem para comprar leite. Nisso eles te levam a um mini-mercado one da fórmula de leite custa mais de 20 dólares, lógico que a pessoa fica chocada com o preço, mas você quer ajudar a criança. Então você compra o leite… o problema é que é um golpe. Depois de um tempo a criança traz o leite de volta ao mercado e recebe uma parte do dinheiro, ou seja o golpe é combinado com os donos do mercado também. Muito triste. Tinha uma rua em específico onde sempre que eu passava essas crianças se aproximavam, então fique atento. Apesar de ser um golpe conhecido nos fóruns de viagens, vi alguns turistas caindo 😦

4. O povo!

O povo do Camboja me impressionou, as vezes nem tanto positivamente, porém sem dúvidas eles fazem toda a diferença ao viajar pelo país. Muitos turistas que viajam só para os lugares mais turísticos acabam saindo do país com uma imagem ruim, policiais corruptos, crianças trabalhando e pedindo esmola, pessoas tentando te passar golpes etc… ou seja é difícil. Mas ao mesmo tempo é um povo muito receptivo, sorridente, trabalhador e amigo. Não deixe uma ou outra experiência ruim fazer com que você tenha uma opinião generalizada deste povo. Não se esqueça que há 40 anos atrás o país foi destruído e profundamente marcado pelo Khmer Rouge (como contei em outro post) e isso acabou trazendo conseqüências e deixando cicatrizes. A corrupção por exemplo não é um hábito do povo budista, é algo herdado dos tempos de guerra… Então para cada policial corrupto que contribui por atrasar este país, existem projetos sociais e pessoas incríveis fazendo a diferença e contribuindo profundamente para a mudança de mentalidade deste povo, assim como oferecendo oportunidades. Mantenha o coração aberto para conhece-los (como os projetos que citei no meu post sobre Siem Reap) e tenho certeza que você terá uma outra visão do Camboja.

Mesmo em meio as dificuldades, no caso este menino esta catando lixo na água, ele parou e sorriu para a foto. Depois veio perto e eu mostrei a foto para ele o que o fez sorrir ainda mais :)

Mesmo em meio as dificuldades, no caso este menino estava catando lixo na água, ele parou e sorriu para a foto. Depois veio perto e eu mostrei a foto para ele o que o fez sorrir ainda mais 🙂

5. O lixo e a pobreza

Confesso que desde a primeira cidade que passei no país fiquei chocada com a quantidade de lixo, sujeira, em todo lugar. Pela estrada ainda era possível ver nas montanhas de lixo, vacas comendo, e tudo muito próximo as casas. Me senti na Índia. Claro que nas áreas mais turísticas como em Siem Reap você não verá muita coisa, porém ao viajar pelo país você verá. Fora isso o Camboja foi o país do Sudeste Asiático onde vi a pobreza de forma tão explícita. Nem no Laos onde supostamente é para ser menos desenvolvido que o Camboja, vi algo parecido. Ou seja mais uma vez me perguntei se essa combinação de lixo+pobreza extrema seria parecida com a Índia, caso fosse não sei quando teria “coragem” de visitar este país. Enfim, é de cortar o coração é claro, ainda mais quando criancinhas ficam tentando te vender coisas, porém é importante saber que existe alguém por trás e que infelizmente assim você não esta as ajudando. A melhor forma de ajudar como eu comentei é visitar estes projetos sociais e lojas e restaurantes que trabalham dando oportunidade a jovens e adultos que eram moradores de rua. O país esta cheio disso é só se informar. Mais uma vez para cada montanha de lixo que você ver tenha certeza que existem projetos excelentes trabalhando com saneamento básico e para trazer acesso a fontes limpas de água para as vilas e a zona rural do país.

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Pela estrada, isso no meio além de lixo é esgoto aberto também.

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Ironicamente vi esta placa “Por favor mantenha nosso país limpo!”

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Em Koh Kong, o lixo nas encostas.

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Em Phnom Penh

Extras: Achei muito engraçado que pelo país inteiro é normal encontrar pessoas, em geral mulheres e crianças andando de pijamas o dia todo..

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Na zona rural, a crianças de pijamas.

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As mulheres! Esta foto não é minha, mas vi muitas! 🙂

Foto credit

Aprenda a dizer pelo menos OI e OBRIGADO em Khmer (como se pronuncia, não como se escreve):

Oi: Susday

Obrigado: Okum

Meu roteiro pelo país no total de 15 dias:

Meu itinerário pelo Camboja

Meu itinerário pelo Camboja

Continuo pelo Vietnã no momento e em breve escrevo mais sobre aqui 🙂

Bisous, Flavia

Kampot, ultima parada no Camboja

Escolhi ir para Kampot pois sabia que seria um lugar tranquilo, bem autêntico e onde conseguiria descansar e trabalhar um pouco, e posso dizer que fiz a escolha certa 🙂

Kampot fica perto de Sihanoukville (130 km), sul do Camboja e  o principal destino turístico da costa do país, atrai muitos turistas, porém em Kampot não tem praia, tem rio, porém fica perto de Kep (40 min), outro destino da costa Cambojana. Kampot em si é conhecida por suas plantações de pimenta, fazendas de sal e a possibilidade de passear pela zona rural do Camboja.

Cheguei já fim do dia e fui direto para a guesthouse que tinha visto online. Bem simples, mas também paguei US$ 5,00 por um quarto privado com banheiro #luxo! Chama Orchid Guesthouse e como a cidade é pequena não tem muitas opções, acabei ficando lá por 4 noites. Eles tem restaurante, e serviço de lavanderia (1 kg = 1 US$). Na manhã seguinte aproveitei para caminhar pela cidade, e perto do rio é uma delícia passear. Acidentalmente fui a um Café chamado Epic Café, assim que sentei fui olhar o menu e lá explicava que este este era um café da ONG Epic Arts (Every person counts), que trabalha para integrar deficientes através da arte, capacitando-os de diversas formas. Neste caso as pessoas que trabalhavam ali no café eram deficientes auditivas, então no cardápio explica como você deveria se comunicar e fazer seu pedido. A atendente me entregou uma folha e caneta para que eu marcasse o que eu queria. O serviço e a comida é boa, além de ser uma boa causa.

Neste mesmo dia fui no café (27/06) a ONG faria uma apresentação com o trabalho que eles tem desenvolvido no ultimo trimestre. Peguei um tuktuk e fui lá conferir. Mas uma vez meu coração pode sentir o incrível trabalho que muitos tem feito aqui neste país, e como este povo é feliz mesmo em meio as circunstâncias. Teve apresentação de dança com caldeirantes (in a wheelchair), música típica tocada por deficientes visuais, dança com crianças com deficiência mental, entre outros. Foi muito lindo ver e fiquei muito feliz de ter ido.

Passeando por Kampot

Em Kampot existem vários "monumentos" como este da Durian que é uma fruta enorme e que lembra muito a Jaca. No mínimo engraçado :)

Em Kampot existem vários “monumentos” como este da Durian que é uma fruta enorme e que lembra muito a Jaca. No mínimo engraçado 🙂

Por-do-sol em Kampot

Por-do-sol em Kampot

No outro dia não fiz nada específico, mas combinei com um motorista de tuktuk – detalhe: como a cidade era bem pequena e poucos turistas, eu via o mesmo motorista todos os dias e ele tentava me vender o tour – de irmos no dia seguinte, depois que fechei o valor em US$ 15,00.

Começamos as 9 da manhã (depois de ficar até tarde vendo e sofrendo com o jogo Brasil vs. Chile) e nossa 1a parada foi uma fazenda de sal marinho. Porém como havia chovido bastante na noite anterior estava tudo alagado e não deu para ver muita coisa. Em seguida partimos para uma caverna, porém a estrada até lá foi longa, por meio da zona rural. No caminho paramos para ele me mostrar como fazem com o arroz depois de ser colhido (como verão na foto), bem interessante!

A fazenda de sal

A fazenda de sal

O arroz antes de passar por esta máquina, que tira a casca

O arroz antes de passar por esta máquina, que tira a casca

Aqui do lado esquerdo é o resíduo que eles usam para alimentar animais ou até para produzir energia e do lado direito o arroz que conhecemos.

Aqui do lado esquerdo é o resíduo que eles usam para alimentar animais ou até para produzir energia e do lado direito o arroz que conhecemos.

No caminho esta senhora estava plantando seu arroz. Vi muito arrozais e por ser época de chuva estão bem verdes, lindos.

No caminho esta senhora estava plantando seu arroz. Vi muito arrozais e por ser época de chuva estão bem verdes, lindos.

Chegando a caverna, Rany o motorista do tuktuk/guia foi quem me levou para fazer o tour lá dentro. A caverna é bem grande e tem um templo bem antigo lá dentro. Parece que foi usada como esconderijo dos soldados do Khmer Rouge. Dando um volta, iríamos sair por uma entrada diferente da que entramos, porém foi bem difícil chegar lá, felizmente eu trouxe uma lanterna e estava de tênis. Esse foi o tipo de situação que corri um risco desnecessário (sorry mãe)… mas o caminho é bem estreito, e tem que ir descendo pedras, pulando, etc.. mas deu tudo certo e Rany foi me ajudando.

Na caverna!

Na caverna!

Fomos então conferir uma fazenda de plantação de pimenta, como comentei a pimenta de Kampot é super conhecida (você conhece?) por sua qualidade, etc. E lá eles plantam pimenta preta, verde e vermelha. Tinha como comprar é claro, mas não tenho como ficar carregando 😛

Esta é a durian

Esta é a durian

A árvore de pimenta

A árvore de pimenta

A pimenta

A pimenta

Em seguida fomos em direção a Kep para almoçar frutos do mar, em frente ao mar e passear pela praia. Felizmente choveu enquanto estávamos no restaurante mas quando fui para a praia, cheia de cambojanos curtindo o domingo de sol, já estava mais limpo.

Em Kep

Em Kep

A praia de Kep

A praia de Kep

Na volta à Kampot, Rany perguntou se eu queria ver os pescadores e este foi um dos momentos mais legais. Fui tirar umas fotos de um senhor que estava arrumando a rede de pesca e começamos a conversar (com a ajuda de Rany) e ele pediu que eu enviasse as fotos via o Rany, pois sempre passam por lá, porém ele nunca recebe as fotos hahaha. Aproveitei para perguntar algumas coisas e ele queria saber se eu era solteira, se não tinha filhos, pois aqui as moças casam por volta de 16-18 anos… ficaram como sempre, muito feliz em saber que eu era do Brasil.

A vila de pescadores

A vila de pescadores

O pescador :)

O pescador 🙂

Eu e ele

Eu e ele

Rany me levou então de volta a minha pousada, me deu ser cartão (que um turista Australiano que gostou muito dele, fez para ele) e o paguei dando uma boa gorjeta, pois o dia que tive com ele, com toda sua simplicidade e atenção, ficará para sempre na minha memória. Um cara simples, que aprendeu inglês no trabalho sem nenhum estudo e que acorda todo dia as 4 da manhã para trabalhar com seu tuktuk (este também que foi esta novinho, pois um outro turista inglês quis dar um novo para ele pois o dele já estava bem velho) e além disso tem uma pequena plantação de arroz que ele mesmo planta e colhe e que serve para alimentar a família dele por UM ANO! Isso tudo foi simplesmente uma lição da vida real pra mim. Tanto é que quando ele perguntou quando estávamos a caminho da pousada, se eu estava cansada, pensei: como posso dizer que sim? Com tudo que este homem faz eu não posso estar cansada! ahhah Ah e o mais legal, quando estávamos em uma estrada vazia ele me mostrou e deixou eu dirigir o tuktuk dele ahahha pena que não tenho foto para provar!

Eu eu Rany!

Eu eu Rany!

No dia seguinte segui para mais uma aventura de cruzar a fronteira, desta vez para entrar no Vietnã, meu destino para o mês de Julho inteiro!

Quero ainda fazer mais um post sobre o Camboja, resumindo minha experiência de passar 2 semanas neste país tão diverso, rico e contrastante e que sem dúvidas ganhou meu coração ❤

Até mais,

F.

 

Crazy ride and the Mekong River dolphins

Como o motivo do meu “tour” pelo Sudeste Asiático é dar continuidade a minha pesquisa do mestrado, nada mais justo do que visitar o Rio Mekong (um dos principais rios do SE Asiático, que corta 6 países e que é meu objeto de estudo) e passar por onde o Rio passa no Camboja. Para isso escolhi a região do Nordeste do país onde é possível avistar golfinhos, que vivem apenas nesta região do Rio e estão ameaçados de extinção (só existem cerca de 75 nesta região). Mas para isso tive um dia longo de viagem, se não um dos mais difíceis, uma vez que não há rodovia que liga direto Siem Reap, onde eu estava, à Kratie.

Bom, então as 7 da manhã já estava eu aguardando o ônibus, onde viajei pelas próximas 6-7 horas, sem muito espaço ou conforto. Sabia que eu teria que trocar de ônibus mas não fazia idéia de quando, até que o ajudante do motorista nos mandou descer assim que chegamos em uma cidade – que não faço idéia de qual era – ao menos não tinha só eu, mas também 2 franceses (que estão dando uma volta ao mundo) e que também estavam indo para Kratie. Nisso fomos direcionados a uma minivan, aguardamos uns outros passageiros, todos locais, o motorista tentava falar comigo em khmer e claro que eu não entendia nada. Até que… ainda na cidade, ele nos levou a uma rua, tipo de feira e pediu para descermos. Nisso eles começaram a carregar a van com legumes e verduras. Tipo MUITA COISA! Isso durou mais ou menos uma hora.. pois não era só carregar, ainda pesavam e iam verificando uma lista, para ver se estava tudo certo. Eu já não acreditava mais que seria possível sermos transportados naquela van, pois todos assentos foram ocupados (até o teto) sobrando somente 3, os da primeira fileira, além do lugar do motorista e do passageiro. Fiquei em estado de choque e perguntava para um cambojano que falava um pouco de inglês se de fato iríamos naquela van, e ele confirmou. Detalhe, só tinha eu e mais 8-9 homens, os demais passageiros. Felizmente eu não era a única gringa #obrigadasenhor!

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No meio do “processo”

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Let’s go?

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Detalhe do lado de dentro 😛 Mãe fica tranquila!

Nisso, ao menos fui privilegiada de ir no banco da frente, bem apertado, mas pelo menos não tive que me espremer no assento de trás, com os demais 8. A viagem em si durou umas 2 horas, até sermos descarregados em Kratie. Infelizmente este foi o tipo de situação que eu não tinha o que fazer, pois estava em uma cidade X e já estava quase fim do dia então ter escolhido ficar lá para no dia seguinte pegar um transporte decente para Kratie seria muito mais complicado. O pior de tudo é que paguei para viajar desse jeito (o trecho Siem Reap até Kratie foi $12,00)!

Enfim, olhando pelo lado bom da coisa, tenho mais histórias para contar 😛 . Mas vale dizer que não me senti ameaçada ou com medo, por ser a única mulher, foi mais o fato de ser zero conforto e viajar àla cambojano.

Chegando em Kratie, que é uma cidade bem pequena sem quase nada para ver a não ser os golfinhos e trilhas pela beira do Rio, fui direto para a guesthouse (pousada) que tinha lido no Guia Lonely Planet e consegui um quarto privado por US$5,00. A pousada chama Balcony guesthouse e é simples mas boa, eles tem também um restaurante com comida boa e um ótimo wi-fi, fora que a família que é dono do local são muito amigáveis, honestos e pude conversar um pouco com o dono, sobre seus planos, suas desilusões com a política do seu país, etc. Ele mesmo foi quem organizou no dia seguinte um tuktuk para me levar para ver os golfinhos (o local fica a 15km de Kratie).

Estava muerta de cansaço depois da aventura que foi para chegar a cidade então apaguei, e no dia seguinte fui lá pelas 9 da manhã para ver os golfinhos. Chegando lá tem que pagar US$ 9,00 (para 2 ou mais o preço é de 7) para o barco te levar até o local de observação. Chegando lá só tinha eu e meu barco e estava uma brisa delícia, e vi vários golfinhos! Muito lindos, foi emocionante. Pena que só conseguimos ver estando mais de longe, então foi difícil fazer uma foto boa, estilo National Geographic.

Depois de um tempo, uns 40 min, avisei o piloto (?) que podíamos voltar, porém o motor de uns 50 anos que o barco tinha resolveu não trabalhar e até ele reviver demorou uns 30 min. Pouco antes de irmos chegaram uns 5 barcos com outros turistas, e pude perceber que quase não se via mais golfinhos, então vale a pena ir mais cedo!

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O barco e o Rio Mekong, que é enorme!

Conseguem ver o golfinho?

Conseguem ver o golfinho?

Olha que lindo!

Olha que lindo!

Eu no Rio Mekong

Eu no Rio Mekong

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Instrumento usado na pesca.

Bom, no retorno para Kratie, fui tirando várias fotos, pois o caminho todo é pela zona rural, o que adorei poder observar. Além disso pedi para parar em um templo que é uma das atrações de Kratie (apesar de que ele parece estar abandonado no momento) que é conhecido por ter 100 pilares, como irão ver na foto 🙂

Casa típica. De norte a sul, por onde passei as casas sempre são assim elevadas do chão.

Casa típica. De norte a sul, por onde passei as casas sempre são assim elevadas do chão.

Menina com uniforme escolar

Menina com uniforme escolar

Andando pela zona rural, as crianças sempre dizem "hello" e sorriem :)

Andando pela zona rural, as crianças sempre dizem “hello” e sorriem 🙂

O Rio ao fundo, as casas, e as plantações ao fundo.

O Rio ao fundo, as casas, e as plantações ao fundo.

O templo com 100 pilares

O templo com 100 pilares

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Próximo ao templo tinham várias borboletas! Então, virei fotógrafa :P

Próximo ao templo tinham várias borboletas! Então, virei fotógrafa 😛

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lindo

lindo

Dormi mais esta segunda noite em Kratie, aproveitei antes para andar pela cidade e realmente não tem nada, e no dia seguinte já peguei uma Van – desta vez só com pessoas e não legumes 😀 – em direção a Phnom Penh (de volta a capital) pois apesar de não saber ao certo para onde eu iria (estava na duvida), qualquer caminho me levaria até lá, pois é de onde todos outros ônibus saem. Acabei decidindo ir para Kampot, sul do país e de onde vos escrevo (já é meu último dia no país) e após 4 horas na minivan vindo de Kratie, cheguei em PP e já fui direto ver se tinha um ônibus para Kratie (6 horas de viagem – US$ 7,00) e sim tinha, para daqui 2:30, tempo ideal para eu dar uma volta e almoçar tranquilamente. A viagem até Kampot foi tranquila, porém foi mais um dia inteiro que passei viajando, detalhe isso tudo foi cerca de 500km e demorei 10 horas! Viajar pelo Camboja não é nada fácil, mas mesmo assim tem valido a pena.

Outro templo, este já no centro de Kratie.

Outro templo, este já no centro de Kratie.

Templo principal de Kratie

Templo principal de Kratie

Bom, no próximo post contarei sobre Kampot e um resumo destas 2 semanas que passei no Camboja.

Bye ❤

F,

Siem Reap e os templos de Angkor

Sem dúvidas um dos itens que estava no topo da minha lista de ver/ir era os templos de Angkor em Siem Reap, norte do Camboja. Então sai de Phnom Penh as 8:30 da manhã para uma longa viagem rumo a SR, acho que foram umas 8 horas, a estrada era be ruim então o ônibus era bem lento, porém foi uma viagem ok (já tive piores, ou ainda, A PIOR, que contarei em breve). Chegando em SR dividi o tuktuk com uma chinesa que estava no mesmo hostel que eu em PP e acabamos fazendo várias coisas juntas nos próximos dias, além de uma holandesa que também chegou no albergue na mesma noite que nós.

Fiquei na mesma rede de hostel que havia ficado em PP, o One Stop Hostel, muito bom e bem localizado. Tinha reservado 3 noites, mas acabei ficando 5 e foi difícil ir embora. Siem Reap tem tantas coisas para fazer, além dos templos, vários restaurantes onde comidas típicas custavam entre 3-5 dólares, vários mercados, lojinhas e um Rio lindo que passa pela cidade. Enfim, amei!

Cheguei na quinta dia 19 e aproveitei para descansar no dia seguinte e trabalhar um pouco na minha dissertação, encontrei um café gostoso (The Blue Pumpkin, recomendo!) e lá fiquei trabalhando. Combinei com a holandesa de irmos aos templos para ver o o por-do-sol, pois lá os ingressos são separados por 1 dia, 3 dias ou 1 semana, cada um com um preço. O de 1 dia custa 20 dólares, ouch!, mas vale 24 horas, então eu pude ir ver o por-do-sol no dia anterior e poderia usar no dia seguinte o mesmo ticket.

Dividimos um tuktuk que custou 3 dólares cada, ele nos levou e ficou esperando por nós. O principal lugar para ver o pôr ou nascer do sol é no templo de Angkor, chegamos lá e como ainda tinha tempo aproveitamos para conhecer o templo que é gigante, não é por menos que este É o maior templo religioso do mundo, fato! Só que mais uma vez, por ser época de chuvas na região, caiu um temporal enquanto ainda estacamos lá. Começou a ficar escuro, e um guardinha foi nos indicando a saída. Esperamos um pouco para ver se a chuva ia parar, mas não. Então compramos uma capa de chuva e fomos ao encontro de nosso motorista, que já nos esperava há 1:30. Enfim, não teve pôr-do-sol mas estar dentro do Angkor em uma tempestade foi uma experiência e tanto!

A chuva!

A chuva!

No dia seguinte combinamos com o mesmo motorista para nos buscar as 4:30 da madrugada, para vermos o nascer do sol. Eta vontade hein! 😛

Bom aqui vale um parênteses para explicar o que são os templos de Angkor: Um dos mais importantes sítios arqueológicos do Sudeste Asiático, com mais de 400 km2, com templos que fizeram parte do império Khmer, entre os séculos 9 e 15.  Os templos eram primeiramente hindus e depois foram transformados em budistas. É o maior complexo religioso do mundo que inclui vários templos, Angkor Wat, Angkor Thom, Bayon, etc. É patrimônio da humanidade pela UNESCO e inclui não só os templos, mas também estruturas hidráulicas (bacias, diques, reservatórios, etc) e rotas de comunicação.

Bom, fomos então ver o nascer do sol e apesar de estar meio nublado foi incrível. Em seguida fomos conhecer os outros templos que fazer parte do small tour e lá por 11 horas da manhã já tínhamos terminado e estacamos morta! Nunca estive em um lugar tão húmido! Você soa, só de respirar, o que acaba sendo cansativo. Quando fomos ainda não estava tão cheio, o que deixa a visita mais agradável. Ninguém merece esperar os grupos de 50 chineses tirar foto um a um.

Ao chegar em Angkor Wat para ver o nascer do sol

Ao chegar em Angkor Wat para ver o nascer do sol

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Angkor Thom

Angkor Thom

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Nesta ponte tinham vários macacos!

Nesta ponte tinham vários macacos!

O templo ainda é frequentado por locais

O templo ainda é frequentado por locais

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Chegando em Angkor Wat

Chegando em Angkor Wat

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Bayon, este templo foi um dos lugares onde o filme Tomb Raider com a Angelina Jolie foi gravado.

Bayon, este templo foi um dos lugares onde o filme Tomb Raider com a Angelina Jolie foi gravado.

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Este é o templo mais incrível, é lindo ver como a natureza foi tomando conta.

Este é o templo mais incrível, é lindo ver como a natureza foi tomando conta.

Voltei para o hostel e desmaiei 😛 Dei uma volta pela cidade, comemos e decidi que iria a um concerto gratuito de um médico suíço Dr.Beat Richner, conhecido por Beatocello, que toca o Violoncelo e tem um trabalho incrível no país! O concerto é gratuito e foge um pouco das atrações turísticas da cidade. Não chega bem a ser um concerto, pois ele tocou só 2 músicas, uma no inicio e outro no final e passou um filme de uns 40 minutos sobre a história do trabalho que ele desenvolveu no país. Já construiu 5 hospitais, inclusive o concerto era no hospital, onde atende somente crianças gratuitamente. Crianças que sem estes hospitais não teriam a menos chance de sobreviver. O vídeo é lindo e não tem como não se emocionar. O médico tem apoio do Rei do Camboja mas 80% do budget to projeto é a partir de doações privadas, por isso o concerto. Valeu muito a pena ter ido, adorei.

Um dos trabalhos do Dr. Beatocello

Um dos trabalhos do Dr. Beatocello

Nos outros dias aproveitei para correr a beira do rio que passa pela cidade e é lindo. Um dia alugamos bicicletas e passeamos por ali também, super delícia.  Comi várias vezes Amok, o prato típico do Camboja, adorei, principalmente o de peixe.

Amok de peixe, o prato típico do Camboja, uma delícia!

Amok de peixe, o prato típico do Camboja, uma delícia!

Lugar delícia em Siem Reap para caminhar  ou só sentar no barquinha

Lugar delícia em Siem Reap para caminhar ou só sentar no barquinha

Em uma das noites fomos assistir o Phare um espetáculo de Circo que faz parte do projeto social Phare Ponleu Selpak, que trabalha com crianças e jovens de rua, orfanatos e oferece aulas de circo, teatro, vídeo e arte em geral. O trabalho começou há mais de 20 anos com crianças que retornaram dos campos de refugiados da época do Khmer Rouge. Hoje mais de 1,200 jovens frequentam o projeto. Eles fazem apresentações diárias em Siem Reap, sempre as 19:30. O ingresso custou 15 dólares, o que não é super barato, mas tive uma noite inesquecível! O circo é pequeno e cada show tem uma história, sempre trabalham com temas como discriminação, violência, etc e tem acrobacias, malabares, diversas coisas. E eles são MUITO BONS! Fora a energia que eles transmitem, é emocionante! Não tem como descrever, vale MUITO ir.

O circo!

O circo!

Já escrevi muito, mais uma vez, porém foram 5 noites e teria ficado mais tempo ainda 🙂 Siem Reap, vai além dos templos, foi ali que senti o verdadeiro Camboja, com todos seus problemas, mas com toda sua beleza, seja nos templos ou nos projetos sociais que estão fazendo diferença neste local. Foi incrível!

Em seguida parti para Kratie (nordeste do país) o qual contarei no próximo post.

❤ Siem Reap ❤ Camboja!

Beijos,

F.

Phnom Penh and the Killing Fields – Cambodia

Como agora estou viajando e fazendo inúmeras coisas (ok, nem tanto) estou bem atrasada nos posts, pois fiquei 3 noites em PP e mais 5 noites em Siem Reap de onde escrevo no momento. Então tentarei escrever posts mais resumidos de cada cidade, será que consigo? 😛

Phnom Penh (toda hora escrevo errado), foi uma grande surpresa. Gostei bastante da cidade, do seu caos, do seu rio, das pessoas, das variedades, mas também vi de forma muito clara a pobreza que assola este país, além do triste turismo sexual que atrai ocidentais-velhos-nojentos a este país, em números assustadores.

Fiquei em um hostel bem localizado , de frente ao Rio Tonle Sap (o rio Mekong também passa por lá) e pude andar aos principais pontos turísticos da cidade. Assim que cheguei já fui andar atrás de algum lugar para almoçar, mas foi meio divicil encontrar um local mais “local” porém encontrei, e meu almoço custou 1 dólar #iloveasia. De lá fui andando até o Mercado Central que tem uma arquitetura única e vale muito a visita. Lá eles vendem de tudo, muitas pedras preciosas (não sei quão verdadeiras são), mas também muitos souvenirs. Logo ao lado existe um shopping Sorya Shopping Center, que não é grandes coisas mas tem um supermercado legal e outras lojas, mas só produtos asiáticos, nada das grandes lojas. Saindo de lá fui presenteada com um belo por-do-sol.

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Tuktuks, muitos! Tinha que recusar uma viagem ao menos umas 20 vezes por dia.

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Asiáticos são excelentes eletricistas!

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Em alguma rua de Phnom Penh

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O mercado central ao fundo

Dentro do Mercado Central

Dentro do Mercado Central

Na orla onde as pessoas passeiam, fazem exercícios, jogam peteca, etc.

Na orla onde as pessoas passeiam, fazem exercícios, jogam peteca, etc.

Existe também o Royal Palace (palácio real) e o Museu Nacional que valem a visita.

A frente do palácio rela (pena que a foto ficou desfocada)

A frente do palácio rela (pena que a foto ficou desfocada)

Sabia que uma das principais atrações da cidade era o Killing Fields (Choueung Ek) (algo como um campo de concentração) porém ainda estava na dúvida se eu realmente queria ir ou não. Já tinha lido relatos de que era muito triste a visita e como não faz muito tempo visitei Auschwitz na Polônia e foi MUITO difícil e triste, continuava me perguntando se que queria enfrentar isso ou não. Acabei decidindo em ir,  1o por insistência dos motoristas de tuktuks, que estão espalhados pela cidade e que te oferecem uma corrida a cada 5 segundos e 2o porque achei que entender o que aconteceu neste país em sua história tão recente, me ajudaria a entender seu povo e o Camboja dos dias de hoje.

A história do Khmer Rouge (Khmer Vermelho) é longa e não saberia explicar muito bem, mas resumidamente seria: regime comunista liderado pelo psicopata Pol Pot, entre 1975 e 1979 que acreditava em uma reforma social e tinha como objetivo criar uma sociedade comunista puramente agrária. Ou seja, qualquer pessoa que tinha estudos ou uma profissão que não fosse de agricultor, deveria ser excluído. Estima-se que cerca de 2 milhões de cambojanos (na época 1/3 da população do país) tenham morrido em ondas de assassinatos, tortura e fome. Estima-se que houveram 300 campos de matança (como o que eu visitei) espalhados pelo país. 

Bom, deu para perceber que foi algo tenebroso né? A visita ao local é de cortar o coração. É uma visita de 1 hora com um audio-guia que vai nos contanto sobre o local e a história. O local em si é lindo, cheio de árvores, uma paz. Mal é possível associar o local com o passado recente que ali aconteceu.

Monumento em homenagem as vitimas. É lá que os ossos e crânios estão guardados.

Monumento em homenagem as vitimas. É lá que os ossos e crânios estão guardados.

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Lindo local em frente a um lago onde você podia sentar e ouvir no seu audio-guia, histórias de sobrevivente.

Lindo local em frente a um lago onde você podia sentar e ouvir no seu audio-guia, histórias de sobrevivente.

Não existem “estruturas” em si, pois tudo foi destruído, mas a história é contada muito bem, e é possível ver roupas, ossos, e as valas onde os corpos eram jogados. Os cambojanos que estavam presos em outro local, eram trazidos a este campo durante a noite, e aqui morreriam naquela mesma noite. A crueldade era inimaginável, pois eles não usavam balas para matar as pessoas, uma vez que era muito caro, então eles usavam o que tinham disponível em termos de instrumentos de agricultura (pá, machado, foice, etc), terrível. Um dos pontos mais dolorosos da visita e uma árvore em específico que o audio-guia conta que era dali que bebes eram arremessados. Além disso, música comunista era tocada no volume máximo, todas as noites, para abafar os gritos e para que os demais pensassem que aquele local não se passava de um local de encontro do partido comunista. O campo em si fica 15km de Phnom Penh.

No monumento principal do campo existe algo como uma pagoda (templo) onde cerca de 3 mil crânios esta expostos e organizados de diferentes formas, de acordo de como eles foram assassinados. Existe também um museu, com uma maior explicação e alguns objetos encontrados no local.

Saindo de lá ainda faz parte ir ao Tuol Sleng Genocide Museum (Museu do Genocidio) que é uma antiga escola onde os Khmer usava como prisão e por ali estima-se ter passado mais de 20,000 pessoas, que depois foram levadas para o Killing Fields. Mais uma vez, muita crueldade, instrumentos de tortura, que eram utilizados para arrancar confissão dos prisioneiros. Mesmo estes sendo inocentes, acabavam confessando que seriam contra do Khmer, tamanha loucura deste líder. É possível ver as fotos de diversos prisioneiros e ler relatos de alguns sobreviventes.

Bom, depois disso tudo o que dizer? Como o líder do seu próprio país pode matar seu próprio povo? Isso tudo aconteceu quando meus pais já eram vivos! Tudo isso deixou marcas no país, é obvio. Além disso existem as marcas deixadas também pela guerra do Vietnã, onde o país também foi altamente bombardeado e muitas minas ainda estão espalhadas pelos campos deste país. O que dizer de países como os EUA (no caso da guerra do Vietnã) ou a China (que apoiou o governo de Pol Pot) ou até de todo comunidade internacional que deixou até 1993 o Khmer ter assento nas Nações Unidas e que até hoje poucos foram julgados e condenados pelos crimes que cometeram?

Enfim, é impossível entender. Minha admiração por este povo tão carente mas tão generoso em sorrisos!

Phnom Penh foi minha porta de entrada neste país com uma historial cruel recente, mas com belezas naturais e pessoas incríveis pela qual já conquistaram meu coração.

Em breve contarei sobre Siem Reap e os templos de Angkor, meu próximo destino.

Beijos,

F.