Kampot, ultima parada no Camboja

Escolhi ir para Kampot pois sabia que seria um lugar tranquilo, bem autêntico e onde conseguiria descansar e trabalhar um pouco, e posso dizer que fiz a escolha certa 🙂

Kampot fica perto de Sihanoukville (130 km), sul do Camboja e  o principal destino turístico da costa do país, atrai muitos turistas, porém em Kampot não tem praia, tem rio, porém fica perto de Kep (40 min), outro destino da costa Cambojana. Kampot em si é conhecida por suas plantações de pimenta, fazendas de sal e a possibilidade de passear pela zona rural do Camboja.

Cheguei já fim do dia e fui direto para a guesthouse que tinha visto online. Bem simples, mas também paguei US$ 5,00 por um quarto privado com banheiro #luxo! Chama Orchid Guesthouse e como a cidade é pequena não tem muitas opções, acabei ficando lá por 4 noites. Eles tem restaurante, e serviço de lavanderia (1 kg = 1 US$). Na manhã seguinte aproveitei para caminhar pela cidade, e perto do rio é uma delícia passear. Acidentalmente fui a um Café chamado Epic Café, assim que sentei fui olhar o menu e lá explicava que este este era um café da ONG Epic Arts (Every person counts), que trabalha para integrar deficientes através da arte, capacitando-os de diversas formas. Neste caso as pessoas que trabalhavam ali no café eram deficientes auditivas, então no cardápio explica como você deveria se comunicar e fazer seu pedido. A atendente me entregou uma folha e caneta para que eu marcasse o que eu queria. O serviço e a comida é boa, além de ser uma boa causa.

Neste mesmo dia fui no café (27/06) a ONG faria uma apresentação com o trabalho que eles tem desenvolvido no ultimo trimestre. Peguei um tuktuk e fui lá conferir. Mas uma vez meu coração pode sentir o incrível trabalho que muitos tem feito aqui neste país, e como este povo é feliz mesmo em meio as circunstâncias. Teve apresentação de dança com caldeirantes (in a wheelchair), música típica tocada por deficientes visuais, dança com crianças com deficiência mental, entre outros. Foi muito lindo ver e fiquei muito feliz de ter ido.

Passeando por Kampot

Em Kampot existem vários "monumentos" como este da Durian que é uma fruta enorme e que lembra muito a Jaca. No mínimo engraçado :)

Em Kampot existem vários “monumentos” como este da Durian que é uma fruta enorme e que lembra muito a Jaca. No mínimo engraçado 🙂

Por-do-sol em Kampot

Por-do-sol em Kampot

No outro dia não fiz nada específico, mas combinei com um motorista de tuktuk – detalhe: como a cidade era bem pequena e poucos turistas, eu via o mesmo motorista todos os dias e ele tentava me vender o tour – de irmos no dia seguinte, depois que fechei o valor em US$ 15,00.

Começamos as 9 da manhã (depois de ficar até tarde vendo e sofrendo com o jogo Brasil vs. Chile) e nossa 1a parada foi uma fazenda de sal marinho. Porém como havia chovido bastante na noite anterior estava tudo alagado e não deu para ver muita coisa. Em seguida partimos para uma caverna, porém a estrada até lá foi longa, por meio da zona rural. No caminho paramos para ele me mostrar como fazem com o arroz depois de ser colhido (como verão na foto), bem interessante!

A fazenda de sal

A fazenda de sal

O arroz antes de passar por esta máquina, que tira a casca

O arroz antes de passar por esta máquina, que tira a casca

Aqui do lado esquerdo é o resíduo que eles usam para alimentar animais ou até para produzir energia e do lado direito o arroz que conhecemos.

Aqui do lado esquerdo é o resíduo que eles usam para alimentar animais ou até para produzir energia e do lado direito o arroz que conhecemos.

No caminho esta senhora estava plantando seu arroz. Vi muito arrozais e por ser época de chuva estão bem verdes, lindos.

No caminho esta senhora estava plantando seu arroz. Vi muito arrozais e por ser época de chuva estão bem verdes, lindos.

Chegando a caverna, Rany o motorista do tuktuk/guia foi quem me levou para fazer o tour lá dentro. A caverna é bem grande e tem um templo bem antigo lá dentro. Parece que foi usada como esconderijo dos soldados do Khmer Rouge. Dando um volta, iríamos sair por uma entrada diferente da que entramos, porém foi bem difícil chegar lá, felizmente eu trouxe uma lanterna e estava de tênis. Esse foi o tipo de situação que corri um risco desnecessário (sorry mãe)… mas o caminho é bem estreito, e tem que ir descendo pedras, pulando, etc.. mas deu tudo certo e Rany foi me ajudando.

Na caverna!

Na caverna!

Fomos então conferir uma fazenda de plantação de pimenta, como comentei a pimenta de Kampot é super conhecida (você conhece?) por sua qualidade, etc. E lá eles plantam pimenta preta, verde e vermelha. Tinha como comprar é claro, mas não tenho como ficar carregando 😛

Esta é a durian

Esta é a durian

A árvore de pimenta

A árvore de pimenta

A pimenta

A pimenta

Em seguida fomos em direção a Kep para almoçar frutos do mar, em frente ao mar e passear pela praia. Felizmente choveu enquanto estávamos no restaurante mas quando fui para a praia, cheia de cambojanos curtindo o domingo de sol, já estava mais limpo.

Em Kep

Em Kep

A praia de Kep

A praia de Kep

Na volta à Kampot, Rany perguntou se eu queria ver os pescadores e este foi um dos momentos mais legais. Fui tirar umas fotos de um senhor que estava arrumando a rede de pesca e começamos a conversar (com a ajuda de Rany) e ele pediu que eu enviasse as fotos via o Rany, pois sempre passam por lá, porém ele nunca recebe as fotos hahaha. Aproveitei para perguntar algumas coisas e ele queria saber se eu era solteira, se não tinha filhos, pois aqui as moças casam por volta de 16-18 anos… ficaram como sempre, muito feliz em saber que eu era do Brasil.

A vila de pescadores

A vila de pescadores

O pescador :)

O pescador 🙂

Eu e ele

Eu e ele

Rany me levou então de volta a minha pousada, me deu ser cartão (que um turista Australiano que gostou muito dele, fez para ele) e o paguei dando uma boa gorjeta, pois o dia que tive com ele, com toda sua simplicidade e atenção, ficará para sempre na minha memória. Um cara simples, que aprendeu inglês no trabalho sem nenhum estudo e que acorda todo dia as 4 da manhã para trabalhar com seu tuktuk (este também que foi esta novinho, pois um outro turista inglês quis dar um novo para ele pois o dele já estava bem velho) e além disso tem uma pequena plantação de arroz que ele mesmo planta e colhe e que serve para alimentar a família dele por UM ANO! Isso tudo foi simplesmente uma lição da vida real pra mim. Tanto é que quando ele perguntou quando estávamos a caminho da pousada, se eu estava cansada, pensei: como posso dizer que sim? Com tudo que este homem faz eu não posso estar cansada! ahhah Ah e o mais legal, quando estávamos em uma estrada vazia ele me mostrou e deixou eu dirigir o tuktuk dele ahahha pena que não tenho foto para provar!

Eu eu Rany!

Eu eu Rany!

No dia seguinte segui para mais uma aventura de cruzar a fronteira, desta vez para entrar no Vietnã, meu destino para o mês de Julho inteiro!

Quero ainda fazer mais um post sobre o Camboja, resumindo minha experiência de passar 2 semanas neste país tão diverso, rico e contrastante e que sem dúvidas ganhou meu coração ❤

Até mais,

F.