O episódio do rato na minha cama

Quando estava em Bali há quase 2 semanas atrás aconteceu um episódio traumático, mas que me fez refletir sobre viajar sozinha e seus aprendizados.

Cheguei em Ubud, Bali e tinha feito uma reserva em um hotel pelo booking.com. Tive que reservar um hotel pois só tinha conseguido cama em um hostel para o dia seguinte, já que estava tudo lotado. Quando você usa o booking.com em geral você não tem que pagar, o que é bom, então quando cheguei na cidade vieram me oferecer um quarto por um preço mais barato do que o hotel que eu tinha reservado. Como estou viajando com um budget apertado, cada centavo conta e neste caso eram 5 dólares! Ok, era um quarto privado com banheiro, fui lá dei uma olhada e parecia tudo ok, e o jardim do hotel era bem bonito e tinha até piscina. Como era só uma noite não pensei muito e fiquei por lá mesmo… até que quando já estava de olhos fechados para dormir senti algo na cama (estava com lençol me cobrindo), olhei rapidamente e vi algo correndo, mas foi muito rápido porém tenho certeza que vi um rabo! Nisso minha reação foi pular da cama é claro, e subi na cama ao lado (eram 2 camas de solteiro) e peguei minha lanterna. Tentei ver alguma coisa, mexer a cama e não consegui ver mais nada…

Achei que estava louca e que tinha não tinha visto nada de fato, o que me restava era tentar dormir. Dessa vez resolvi usar a cama ao lado, me cobri e fiquei segurando a lanterna just in case… quando escutei algo novamente, liguei a lanterna e lá estava ele, em cima do armário. Oh God! Why? Será que foi castigo porque não fui ao hotel que eu tinha reservado?

Obvio que sai do quarto e fui a recepção, porém não tinha ninguém por lá, tudo escuro. E agora?

Neste momento não sabia o que fazer, procurei uma rede ou um sofá do lado de fora porém não tinha nada, até que achei um quarto vazio, sim Deus é bom! O quarto estava vazio e com a chave na porta, além de ser bem melhor do que o quarto que eu estava, tinha até ar-condicionado. Dormi por lá mesmo, apesar de não ter dormido muito bem porque estava com medo de alguém descobrir que eu estava lá, sendo que eu tinha pago por um quarto mais simples, sim loucura minha 😛

Na manhã seguinte fui reclamar na recepção e a reação deles foi: nenhuma, a menina até riu. Estava super brava, e assim que dei check-in no hostel corri para o Tripadvisor e escrevi uma resenha péssima sobre o local. Isso era o mínimo que eu podia fazer e ajudar outros viajantes que cogitem se hospedar naquele hotel.

Resumindo: muitas vezes viajando sozinha, ainda mais sendo mulher, temos que lidar com situações que jamais gostaríamos de ter que lidar ainda mais quando envolve seres nojentos ahhaha Lembro que quando estava morando no Laos tive que matar várias baratas e uma vez tinha uma aranha enorme dentro da cesta da minha bicicleta e mesmo assim eu consegui me livrar dela e sem matá-la! Teve ainda o episódio de quando estava no Camboja e vi a maior aranha da minha vida, lindamente repousando EM CIMA DA MINHA ESCOAVA DE DENTE! Eu que sempre detestei qualquer tipo de inseto, apesar de não ter nenhuma fobia louca contra eles, tive que me virar.

Não sei o que tudo isso irá significar na minha vida, talvez nada, só o fato de que eu consigo matar uma barata sem gritar 😛 ou talvez de que eu sou macho e podem me jogar numa floresta que irei sobreviver, ou ainda, que em meio as dificuldades e situações com as quais você não gostaria de lidar, o mais sábio a fazer é respirar fundo e saber que você consegue sim, que seus medos estão na sua mente e que você pode vence-los.

Ps1.: Esse aqui é a porcaria do hotel: http://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g297701-d3492936-Reviews-Ubud_Permai_Bungalow_Spa-Ubud_Bali.html 

Ps2.: Já tinha terminado de escrever este post quando sai para correr na praia e cheguei numa área onde tinham macacos (sim só na Ásia para isso acontecer), estava mantendo distância, até que um macaco muito louco e dos grandes começou a vir correndo na minha direção! Minha reação foi correr também mas vi que ele ia me alcançar, ai que desespero! Joguei minha garrafa de água pra longe e ele foi atrás da garrafa, graças a Deus! Conseguem imagina a cena? #traumatizada #macacodoido #sónaasia !

Cheers,

F. ❤

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Experiências que não tem preço!

Já completei 6 meses de Sudeste Asiático e volte e meia passo por situações que me fazem crer ainda mais em nós seres humanos. Há dois dias quando viajava em um ônibus público aqui pela Indonésia, eu era uma das poucas “gringas”, apesar de não destoar tanto do população local, o que as vezes me faz passar desapercebida, uma jovem sentada no banco da frente ao meu começou a conversar comigo. Seu nome era Winie, professora de Árabe em uma escola pública que estava à caminho de sua cidade natal para descansar e rever a família, já que ela trabalha em outra cidade. Conversamos um pouco, já que seu inglês era básico, mas mesmo assim nos entendemos. Ela contou que seu marido trabalha na Malásia pois as oportunidade por lá são melhores e ela me lembrou que o Brasil não foi muito bem nesta última Copa do Mundo (essa eu to sabendo). Falei que estava indo a Bondowoso e fiz algumas perguntas, quando o cobrador passou para cobrar a passagem (aqui funciona assim, compra-se a passagem já no ônibus, durante a viagem) ela não deixou eu pagar minha passagem! Fiquei constrangida com tamanha generosidade, é claro que não importa que o valor era baixo, mas a atitude dela em si é algo imensurável, agradeci mil vezes mas não sabia nem o que falar.

Viajar de ônibus pela Indonésia é uma aventura por si só, sempre em cada parada vários vendedores entram no ônibus para vender comida e bebidas e sempre, SEMPRE, entra um cantor/banda etc para cantar algumas músicas ao longo da viagem. Só nesta viagem para Bondowoso (que durou 4 horas), tivemos 4 cantores diferentes! 😛

Confesso que eles em geral não são muito talentosos, até acho que eles estão de brincadeira ahaha porque tem uns que são muito ruins, mas mesmo assim eles tentam. A primeira cantora desta viagem tinha até algo estilo playback já que ela não tocava nenhum instrumento, em geral eles tocam violão, e o mais impressionante é que a grande maioria das pessoas contribuem, nem que seja com uma moedinha. Mais uma vez então Winie foi super linda e me deu uma moeda para eu também poder contribuir 🙂

No ônibus e ao centro um dos artistas durante sua performance :)

No ônibus e ao centro um dos artistas durante sua performance 🙂

Chegando em Bondowoso ela me deu em um papel seu número caso eu precisasse de alguma ajuda, acho que ela percebeu que eu estava bem perdida, e negociou com um senhor de um triciclo para me levar até o hotel que eu tinha pesquisado… e mais uma vez ela pagou ao motorista e falou para eu não me preocupar. Não tenho nem palavras para descrever o que senti, como pode uma pessoa que não me conhece ser tão generosa e altruísta com o próximo. Isso me faz refletir e decidir que eu também quero ser como ela, quero ajudar as pessoas sem esperar nada em troca, pois creio que recebemos aquilo que doamos e é dando amor que se recebe amor. Parece clichê mas essa foi uma experiência viva e quero jamais esquece-la.

Essa não foi a primeira vez que algo assim aconteceu, já tive experiências semelhantes no Laos, no Vietnã, entre outros. O povo daqui apesar de ter muito pouco é de uma generosidade impressionante, além de ter um enorme senso de ajudar o próximo. Que experiências como essas nos façam ter mais fé e crer que ainda temos uma saída e que devemos plantar mais amor ❤

O que o mundo precisa é de um abraço coletivo!

O que o mundo precisa é de um abraço coletivo!

Cheers,

F.